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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

26/09–Qual tecido gera maior impacto ambiental?

O que gera mais impacto em termos ambientais, uma peça de roupa feita com polipropileno ou uma produzida com algodão? E entre o poliéster e a lã? Sim, como em todas as perguntas cuja resposta soa óbvia, a correta é a opção que “parece absurda”: a de algodão e a de lã, nas comparações acima. Pelo menos é o que afirma um levantamento feito pelo Sustainable Apparel Coalition (SAC), um grupo de empresas ligadas ao ramo calçadista e de vestuário que se associou a organizações sem fins lucrativos para criar e implementar um índice do desempenho ambiental e social de roupas e calçados. Trata-se de uma iniciativa espontânea, financiada pelas próprias empresas, que conta com mais de sessenta membros, dentre os quais estão grandes fabricantes e varejistas, como Adidas, DuPont, Coca-Cola, Levi´s, Nike e Walmart.

Lançada em julho de 2012, essa versão 1.0 do Índice Higg é focada nos aspectos ambientais, com avaliação das seguintes categorias: uso da água, energia e gases do efeito estufa, resíduos sólidos e toxicidade química. Na versão de 2013 serão incorporadas medidas dos impactos sociais e trabalhistas. O indicador tem por objetivo:

  • Compreender e quantificar os impactos, em termos de sustentabilidade, da indústria de roupas e calçados.
  • Reduzir fortemente a redundância nos cálculos de sustentabilidade nesses setores.
  • Agregar valor aos negócios pela redução do risco e resgate da eficiência.
  • Criar canais comuns para comunicação do tema da sustentabilidade entre as partes interessadas (“stakeholders”)

Ainda que os dados sejam públicos, basta preencher um cadastro simples para recebê-los, o índice vai servir neste primeiro momento sobretudo às empresas ligadas à cadeia de produção e distribuição, que podem usá-lo para como ferramenta para identificar oportunidades de melhora e inovação. Uma medida de fácil compreensão para os consumidores—como a adotada para os aparelhos elétricos, que trazem uma tabela classificadora do gasto de energia— está nos planos da SAC, embora a data de lançamento ainda não tenha sido estabelecida. “Esta ferramenta permite que nossas equipes percebam como melhorar nossa cadeia de produção e, ainda mais importante, como reduzir nosso impacto ambiental”, afirma Scott Lecel, diretor de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da varejista Target no comunicado de lançamento do Higg.

Veja abaixo a pontuação de alguns itens.

Higg

Fonte:|http://www.bmfbovespa.com.br/novo-valor/pt-br/na-sua-vida/2012/Empr...

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

23/08 - Gastos da classe “C” com vestuário devem chegar a R$ 55 bi

Pesquisa do Instituto Data Popular mostra que consumo no setor teve um crescimento de mais de 153% em 10 anos

Vendedora

Maior volume de vendas deve ser registrado no Sudeste

Rio de Janeiro - Os gastos da Classe C com moda tiveram um crescimento de 153,2% entre 2002 e 2012, saltando de R$ 22 bilhões para R$ 55 bilhões, segundo dados do Instituto Data Popular. De acordo com o estudo, o maior consumo deste ano deve ser registrado no Sudeste (48%), seguido pelo Nordeste (19%), Sul (18%), Centro Oeste (7,9%) e Norte (7,5%).

No comparativo entre classes, a C aparece em segundo lugar em volume de compras, com 46%. Em primeira colocação aparece a AB, com 37,6% e, em terceira, a DE, com 16,4%. Entre os gêneros, as mulheres saem na frente quando o assunto é interesse por moda (80,5%), contra 54,8% dos homens.

Quando questionados sobre a frequência com que adquirem novas roupas, 51,4% dos integrantes da Classe C afirmaram fazê-lo uma vez a cada três meses. Do total de entrevistados, 77,9% disseram buscar informações sobre moda antes de uma nova compra e 61,7% apontaram a preferência pelos shoppings centers.

Fonte:www.exame.abril.com.br

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

08/08 – Salários sobem na China, mesmo com fraco crescimento mundial

china

Os salários ainda estão aumentando na China e muitas empresas têm dificuldade para preencher suas vagas, apesar do declínio acentuado na economia - evidência de uma escassez estrutural de mão de obra que pode ajudar o país a ajustar-se ao crescimento mais lento sem instabilidade política e estimular o apetite do consumidor por produtos estrangeiros.

Refletindo o aperto na oferta de mão de obra, os salários das famílias urbanas aumentaram 13% no primeiro semestre ante um ano atrás, e a média do salário mensal de trabalhadores migrantes subiu 14,9%, de acordo com dados do Órgão Nacional de Estatística da China. Uma pesquisa do Ministério do Trabalho em 91 cidades no primeiro trimestre mostrou que a demanda por trabalhadores excedeu a oferta num nível recorde, indicando um baixo desemprego.

A escassez de trabalhadores, que contrasta com o nível preocupante do desemprego nos Estados Unidos e na Europa, ajuda a explicar por que Pequim não corre para repetir os programas de estímulo maciços que pôs em prática em 2009. Naquela época, o colapso do comércio mundial forçou demissões em larga escala nas fábricas ao longo da costa, e cerca de 20 milhões de trabalhadores migrantes voltaram para o interior. Os temores de agitação social que isso gerou levaram o governo a gastar generosamente com ferrovias para trens-bala, estradas e outros projetos de estímulo ao crescimento.

Até agora, a desaceleração não se mostrou tão severa quanto em 2009, quando a economia mundial mergulhou na recessão. Sheng Laiyun, porta-voz da Agência Nacional de Estatística, disse que cerca de 6 milhões de novos empregos foram criados nas cidades chinesas no primeiro semestre e os números do emprego de migrantes também subiram.

Mas salários em alta também têm os seus riscos. Na China, os salários ainda estão partindo de uma base muito baixa, mas sobem depressa. Às taxas atuais, os salários do setor privado de manufatura vão dobrar entre 2011 e 2015, e triplicar até 2017, corroendo a competitividade e prejudicando as exportações, que tiveram um papel fundamental no crescimento inicial da China. De fato, a Boston Consulting Group calcula que os salários na China podem ultrapassar os do México neste ano, levando em conta as diferenças de produtividade entre os dois países.

A transição para uma economia de altos salários, onde a produção do setor de serviços e o consumo doméstico têm um papel maior, não será tão linear. Ainda há decisões difíceis a tomar, incluindo a abertura de partes críticas do setor de serviços - como bancos e telecomunicações - a uma concorrência maior. Algumas decisões requerem confrontar grupos de interesse poderosos, como empresas estatais e governos locais. O processo vai se desenrolar por anos.

Os resultados terão consequências para aqueles que ganham e perdem com as rápidas mudanças na economia da China. O mesmo aumento nos salários que começou a elevar os preços dos produtos chineses no mercado mundial também deve erguer a demanda por bens de consumo importados. Os maiores beneficiados com o rápido crescimento chinês têm sido exportadores de commodities como a Austrália, rica em minério de ferro, e fabricantes de máquinas avançadas como a Alemanha. No futuro, os produtores de bens de consumo de primeira linha nos EUA e na Europa poderiam ganhar uma fatia maior do bolo.

O movimento de alta salarial vem sendo moldado por mudanças na população e nas políticas do governo. O tamanho da força de trabalho se estabilizou, dizem os demógrafos, e começará encolher na metade da década, acirrando a competição por trabalhadores. A China se comprometeu a aumentar substancialmente o salário mínimo, o que pressiona os empregadores a subir os salários dos funcionários mais qualificados. Também subiram as indenizações aos demitidos. Isso desencoraja demissões, a não ser que haja uma queda drástica nos negócios.

No passado, o crescimento estonteante do Produto Interno Bruto (PIB) - numa média de 10% ao ano nos últimos 30 anos - foi necessário para criar empregos para os milhões de jovens trabalhadores que inundavam o mercado todo ano. Agora, esse fluxo está perdendo fôlego, no mesmo momento em que a China passa a priorizar o crescimento do setor de serviços.

Essa dinâmica ajuda a explicar por que há poucos casos de demissões, ainda que o crescimento do PIB tenha sido de 7,6% no segundo trimestre de 2012, quase metade do pico de 14,8% atingido no segundo trimestre de 2007. Explica também por que os líderes chineses parecem mais otimistas quanto a um crescimento mais lento. "A taxa de crescimento potencial da China diminuiu", disse Chen Dongqi, um experiente pesquisador do governo, acrescentando que "7% a 8% agora é o normal".

O desemprego oficial da China foi de 4,1% no fim do primeiro trimestre, embora os dados cubram somente os trabalhadores urbanos e sejam considerados pouco confiáveis pela maioria. A taxa nos EUA foi de 8,2% em junho, sendo que os salários cresceram 1,7% no primeiro trimestre de 2012 comparado com um ano atrás. Na zona do euro, o desemprego atingiu 11,1% em maio, o nível mais alto desde a criação da moeda comum.

O vigor do mercado de trabalho na China vem das profundas mudanças demográficas. A política do filho único, introduzida no país em 1980, está começando a corroer o suprimento de trabalhadores. Em 2005, havia 120,7 milhões de chineses entre 15 e 19 anos de idade, segundo estimativas das Nações Unidas. Em 2010, esse número tinha caído para 105,3 milhões, e deve chegar a 94,9 milhões até 2015. (Colaboraram Kersten Zhang e Olivia Geng).

Fonte: Autor(es) - Tom Orlik e Bob Davis | The Wall Street Journal, de Pequim

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

03/08 - Calça com bateria que aquece as pernas é arma secreta de ciclistas

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Calça Adipower, da Adidas, usada por britânicos do ciclismo de pista em Londres
Em qualquer esporte, competir com a musculatura aquecida é essencial para garantir a performance, principalmente nas categorias de elite. A equipe britânica que disputa as provas de velódromo nos Jogos de Londres, apontada como favorita, vai contar com uma “arma secreta” durante a competição: as calças Adipower, da marca Adidas, já apelidadas de “hot pants” (calças quentes).
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As hot pants garantem temperatura de 38 graus centígrados nas pernas
As calças contam com um aquecedor alimentado a bateria criado com o objetivo de manter as pernas aquecidas a 38 graus centígrados. As peças exclusivas são parecidas com calças acolchoadas; a diferença é que há filamentos para levar o calor aos pontos certos.
O produto foi desenvolvido em parceria com a federação de ciclismo britânica e a Universidade de Loughborough. Segundo o fisiologista inglês Jonathan Leeder,  o objetivo é manter a temperatura muscular após o aquecimento para garantir que os ciclistas iniciem a prova com uma temperatura maior na massa muscular do que seus concorrentes. “Sabemos o quanto a temperatura muscular é importante durante uma corrida de velódromo para os atletas de elite”.
O medalhista olímpico Sir Chris Roy e as ciclistas Victoria Pendleton e Laura Trott estão entre os atletas que vão usar as hot pants durante as provas de pista, que estão sendo disputadas entre os dias 2 e 5 de agosto.
Veja mais neste vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=l7DPB0LQr5c&feature=player_embedded
Fonte: Textileindustry.ning.com



terça-feira, 5 de junho de 2012

05/06 – Produção têxtil e de vestuário pode estar retornando às Américas

Na primeira edição da Texprocess Americas, a feira de processamento de têxteis e materiais flexíveis, o grande tema de discussão foi à volta da produção de vestuário ao Ocidente, com muitos visitantes interessados em equiparem-se com novas tecnologias para fazer face ao futuro.

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Um dos temas mais quentes na mais recente edição da Texprocess Americas em Atlanta, além dos avanços tecnológicos em exibição, foi à perspectiva de pelo menos algumas das operações de confecção regressar ao hemisfério ocidental.

Muitos expositores revelaram terem tido conversas com os clientes em relação a este cenário. Muitos se mostraram também interessados em avanços na automação para retirar parte dos custos de produção da confecção.

Mesmo que parte desta produção possa voltar aos EUA, os vendedores de máquinas acreditam que a migração irá acontecer primeiramente mais para o sul. “Penso que é seguro afirmar que uma parte significativa da confecção estará de volta ao Ocidente, mas a sua primeira parada será na América Central e do Sul”, sublinha Harry Berzack, da Fox Company, uma empresa fornecedora de equipamento de corte e costura sediada em Charlotte, na Carolina do Norte.

"Não vejo nenhum sinal de regresso aos EUA de um grande volume de artigos produzidos em massa que saíram. Mas além dos custos de produção, o país perdeu a sua fonte de trabalhadores de confecção, e ainda mais importante, os supervisores de linha, mecânicos de máquinas, Gerentes e Diretores, além de Engenheiros de Produção. Ouvi em várias ocasiões que as pessoas querem trazer de volta o trabalho, mas não conseguem encontrar mão de obra – isto numa economia com um desemprego tão elevado acrescenta.

Berzack acredita que a confecção que retornará, vai estar relacionada com vestuário de elevada qualidade e de preços mais altos para grandes marcas e algumas categorias de nicho, em vez da produção de jeans ou t-shirts em massa. “O fator limitativo pode, ironicamente, ser a disponibilidade de mão de obra. Talvez por isso vejamos tanto interesse em automação e na desqualificação do processo”, acrescenta.

Frank Henderson, presidente da Henderson Sewing de Andalusia, Alabama, indica que alguns clientes tinham um sentimento generalizado de não serem capazes de controlar o seu próprio destino com a produção asiática devido aos custos do transporte, aumento dos custos de produção e atrasos nos prazos de entrega. E revela que eles estão à procura da integração vertical, desde a produção do tecido à distribuição nas lojas, com pouca ou nenhuma intervenção humana. “Vários clientes disseram-nos que estão considerando mover a produção novamente para o hemisfério ocidental”, afirma Henderson. “Muitos mais clientes estão à procura de rapidez na chegada ao mercado fast fashion, com desenvolvimentos mais freqüentes e menos desembolso monetário à frente”.

Mike Fralix, presidente da Textile/Clothing Technology Corporation, faz comentários semelhantes. “Temos ouvido todo o ano, em relação à confecção, que as empresas estão repensando a sua estratégia de sourcing mundial. Não saindo deste mercado, mas reposicionando algum percentual de volta a este hemisfério: para o México, Colômbia e América Central, e acredite-se ou não, para os EUA. Tem sido mais conversa do que outra coisa, mas conversa é um indicador que as empresas estão começando a pensar e planejar”, considera.

A Gerber Technologies, que teve um dos stands mais movimentados na Texprocess, também observou esta tendência. “Estamos percebendo sinais de algumas pequenas produções regressarem aos EUA, retornando do Extremo Oriente”, destaca Bud Staples, vice-presidente de vendas para a América do Norte da Gerber Technologies. “A nossa equipa de vendas também começou a perceber parte do trabalho de design regressando aos EUA, sobretudo com empresas na Costa Oeste, que querem criar as suas próprias coleções e gerir produções de tamanho menor. “Estas empresas querem ganhar novamente o controle dos seus padrões para poderem assegurar um ajuste adequado”, acrescenta.

Forte participação de clientes americanos

Expositores, organização e visitantes pareceram todos satisfeitos com a feira, que incorpora a antiga SPESA Expo e fez a sua estréia nos EUA. A Texprocess decorreu em paralelo com a Techtextil North America, na sua nona edição. As feiras combinadas, organizadas pela Messe Frankfurt USA, atraíram mais de 6.800 pessoas ao Georgia World Congress Center.

“Foi já a 9.ª Techtextil North America, mas não me lembro de uma feira tão movimentada desde o primeiro minuto do primeiro dia”, sublinha Michael Jaenecke, diretor da Techtextil. “O feedback foi muito positivo no que refere à qualidade e quantidade de conversações de negócio. As razões são várias, entre as quais a recuperação da economia dos EUA, a combinação com a primeira edição da Texprocess Americas e o apoio das associações, a ATMA e a SPESA”, acrescenta.

Berzack afirma que houve uma forte participação de clientes americanos, mas as visitas da América Latina foram fracas. “A qualidade dos visitantes foi elevada e com participação de pessoas de decisão das empresas”, indica Berzack. “Muitos visitantes vieram para ver o que havia de novo e para onde a tecnologia está sendo direcionada. Pareceu-me que o principal interesse estava na tecnologia de enfesto e corte e não na costura. Se estiver correto, este é um sinal encorajador, já que o que é cortado mais tarde é costurado; e historicamente o corte tem muitas vezes sido o órfão no processo de produção”, explica.

Mark Hatton, diretor de marketing e administração de vendas da especialista em linhas de costura A&E, sedIada em Mount Holly, na Carolina do Norte, presente na Texprocess, ficou eufórico com os resultados da feira. “Destacamos três novas linhas de costura para vestuário desportivo que foram muito bem recebidas. A maior parte dos clientes indicou que o negócio está aumentando e pareceram otimistas. Talvez os preços mais baixos dos combustíveis estejam trazendo mais confiança às pessoas. Da perspectiva da A&E, os consumidores estão procurando tanto inovação, como os básicos. “Ouvimos falar muito de eficiência e automação”, revela.

A Merrow Sewing Machines escolheu Atlanta para lançar um novo produto. “Para a Merrow, a feira foi fantástica”, afirma o CEO, Charlie Merrow. “Tendo em conta que lançamos um novo ponto de costura, recebemos muita atenção. Temos trabalhado no novo ponto de costura overlock plano, o programa de marca para Activeseam e amostras há mais de um ano. Tendo em conta que o lançamento do programa em Atlanta foi tardio, acabou por ser o mais correto. “Foi uma feira suficientemente pequena onde pudemos passar tempo de qualidade com muitas pessoas”, destaca.

Maquinaria pesada foi coisa escassa na Techtextil North America, que agora incorpora os resquícios da ATME-I, que já não é uma feira independente. Mas máquinas e equipamentos menores, como equipamentos de teste, estiveram muito presentes. Estes incluem produtos de empresas como a SDL Atlas, que destacou o Drying Rate Tester, que determina as taxas de secagem dos tecidos. Este aparelho suscitou um particular interesse entre os visitantes da Techtextil North America. “Mede eletronicamente o tamanho de um tecido enquanto seca”, indica John Crocker, diretor de vendas para os EUA e Canadá da SDL Atlas. As empresas de artigos desportivos e produtores de vestuário estão entre os mercados alvo deste aparelho.

Fonte: www. portugaltextil.com

segunda-feira, 28 de maio de 2012

28/05 - Crise evidencia problemas domésticos da economia brasileira

Funcionário de companhia metalúrgica de São Paulo (Reuters/Arquivo)

Setor produtivo ainda tem infraestrutura precária

A deterioração econômica nos países desenvolvidos e a desaceleração da China revelam com maior nitidez fragilidades antigas da economia brasileira, como a falta de investimentos em infraestrutura e baixa competitividade industrial.

Aliados, esses fatores atravancam uma retomada mais robusta do crescimento, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

De acordo com a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, os agentes do mercado financeiro revisaram para baixo as previsões de crescimento do PIB em 2012, de 3,09% para 2,99%.

Para os economistas, o Brasil não está imune ao revés causado pela piora da crise financeira internacional. O seu impacto nas contas do país, no entanto, deve ter efeito apenas "comedido".

Para os especialistas, a baixa produtividade e competitividade aliadas a deficiências de infraestrutura constituem alguns dos principais empecilhos para um crescimento mais robusto.

"É nesse momento que nossos pontos fracos, como uma taxa de investimentos em relação ao PIB ainda baixa, que não foram totalmente mitigados, acabam atravacando nosso crescimento", disse à BBC Brasil Francisco Lopreato, professor de economia da Unicamp, em São Paulo.

"A lógica é simples. Sem estradas de boa qualidade e uma baixa produtividade do trabalhador, o preço dos produtos brasileiros tende a ficar mais caro, perdendo espaço para os importados internamente e sofrendo concorrência acirrada no exterior, o que acaba por afetar nosso crescimento", afirmou Sílvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria.

"A crise internacional tem sua parcela de culpa, mas se tornou um álibi do governo para explicar a letargia da economia”, disse.

 

Reformas

Para os economistas, o Brasil "desperdiçou a oportunidade" de realizar reformas essenciais em meio à bonança econômica durante o último governo. Na ocasião, a economia cresceu a patamares elevados, desafogando, por exemplo, o setor produtivo, que ainda sofre com uma infraestrutura precária.

"Com gargalos logísticos ainda não solucionados, além de problemas crônicos estruturais, como uma elevada carga tributária e uma poupança baixa, o Brasil dificilmente conseguirá manter um crescimento sustentável de sua economia", disse Campos Neto.

Na opinião dos analistas, o país precisa de reformas para aumentar o nível de produtividade e reduzir custos operacionais e no momento atual, de crise nos países desenvolvidos, deverá fazer isso com um fluxo de capital externo agora menor, o que torna o processo mais difícil.

O cenário estaria levando investidores a "pisar no freio" com relação aos aportes no país.

Por isso, segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, o Brasil encontra-se num patamar diferente do que há quatro anos, quando atravessou, sem grandes sobressaltos, o início da crise financeira internacional.

Com as exportações brasileiras afetadas pela queda no preço internacional das commodities e o consumo interno com menor espaço para crescer devido a níveis mais altos de endividamento das famílias e inadimplência, o país teria agora sua "capacidade de manobra" reduzida para ensaiar uma retomada da economia.

Analistas também destacam a pauta limitada de exportações brasileiras, compostas sobretudo por commodities de baixo valor agregado, como soja e carne.

 

Grécia e China

Além das incertezas trazidas pela crise europeia, sobretudo com o risco de saída da Grécia da zona do euro, outro fator de grande preocupação para o Brasil é a desaceleração da China.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil e o principal comprador de commodities brasileiras. A alta nos precos e a voracidade chinesa explica, em grande parte, o crescimento registrado na economia nacional nos últimos anos.

Para contornar a baixa no comércio internacional e a queda nas exportações, o governo tem adotado várias medidas para estimular o consumo e impulsionar o crescimento.

Na última semana, foi anunciada uma redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, em até sete pontos percentuais, dependendo do tipo e da cilindrada do veículo.

O governo também reduziu o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para o crédito ao consumo e liberou compulsórios dos bancos com vistas a estender e baratear as linhas de financiamento.

Fonte: http://www.bbc.co.uk

segunda-feira, 7 de maio de 2012

07/05 - Tecido antimancha expulsa sujeira e suporta máquina de lavar

Tecido antimancha expulsa sujeira e suporta máquina de lavar

 

 

 

 

 

 

 

 

Nanopartículas de areia funcionalizadas curam-se sob a ação de luz ultravioleta para "amarrar" as camadas antimancha, deixando o tecido muito mais resistente às lavações. [Imagem: Zhao et al. / Langmuir]

Tecido antimancha lavável

Tecidos antimancha podem ser encontrados no mercado sem muita dificuldade.

Mas agora está surgindo uma nova geração de tecidos à prova de sujeira que não são apenas repelentes: eles possuem uma estrutura que atua ativamente contra as manchas.

O novo revestimento mostrou-se capaz não apenas de repelir, mas de expulsar, sujeiras como graxa, cola e outras substâncias grudentas, e até ácidos.

E com uma grande vantagem: o novo material suporta dezenas de lavações em máquina de lavar comum, sem perder sua funcionalidade.

Yan Zhao e seus colegas da Universidade de Deakin, na Austrália, desenvolveram uma técnica de deposição de multicamadas com cargas positivas e negativas dispostas alternadamente.

Isso já é feito nos tecidos antimancha atuais.

O problema é que o material tende a descamar, o que explica porque sua eficiência cai tão rapidamente.

Amarração molecular

O grande truque encontrado pelos pesquisadores australianos para aumentar a durabilidade do tecido antimancha consiste na adição de nanopartículas de sílica - essencialmente uma areia finíssima - revestidas com moléculas do grupo azida, que possuem longas estruturas parecidas com caudas.

Depois que o tecido é mergulhado várias vezes na solução antimancha - para depositar as múltiplas camadas do material - ele recebe a cobertura de nanopartículas funcionalizadas.

Quando submetidas à luz ultravioleta, as caudas das moléculas do grupo azida se entrelaçam, curando-se e criando uma estrutura muito forte que amarra as diversas camadas.

Isto tornou o revestimento muito durável, permanecendo intacto sobre o tecido de algodão após 50 ciclos completos por uma máquina de lavar doméstica.

Os testes de laboratório mostraram que o novo revestimento, aplicado a um tecido de algodão, repeliu água, ácidos, bases e solventes orgânicos.

Hidrofóbico

Chama a atenção em especial a capacidade do revestimento multicamada em repelir água.

O ângulo de contato do revestimento, que é uma medida da capacidade do material em repelir água, alcançou 154 graus, o que o torna uma das superfícies hidrofóbicas mais eficientes que se conhece.

Para comparação, a cera usada em carros tem apenas 90 graus de ângulo de contato, o Teflon tem 95 graus e os produtos que repelem a água da chuva de pára-brisas de carros chegam aos 110 graus de ângulo de contato.

Como as camadas podem ser ajustadas, o material pode ser produzido para atender diversas especificações, dependendo de seu uso.

Por exemplo, ele pode ser usado para revestir sensores e até equipamentos médicos, formando superfícies antibacterianas.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br