Esta é a Electroloom, impressora 3D que permite fazer roupas (Foto: Divulgação/Kickstarter)
Passo a passo do processo de fabricação (Foto: Divulgação/Kickstarter)
Os sinais fisiológicos podem ser vistos em um smartphone, tablet ou PC. (Imagem: Fraunhofer)
Camisa inteligente para esportistas
As roupas inteligentes – tecidos e vestimentas incorporando circuitos eletrônicos – passaram um longo tempo na fase de protótipos. Mas já está tudo pronto para que elas cheguem às lojas no Instituto de Circuitos Integrados em Erlangen, na Alemanha.
A camisa esportiva inteligente deverá estar disponível ao público no decorrer de 2014, já que um investidor está cuidando da comercialização.
A camisa eletrônica mede continuamente sinais fisiológicos, como respiração, pulsação e alterações no ritmo cardíaco – métricas usadas na avaliação de adaptabilidade ao esporte e carga de estresse.
Fibras condutorias integradas ao tecido da camisa capturam a atividade cardíaca do usuário, enquanto um elástico em volta da parte superior do corpo detecta o movimento do tórax durante a respiração. Uma unidade eletrônica removível presa com grampos digitaliza os dados brutos e calcula parâmetros adicionais, como taxas de pulsação e respiração.
Os dados são transmitidos por conexão sem fios a um smartphone ou computador, onde são avaliados e podem ser armazenados. O software analisa funções vitais durante a prática do esporte, como estresse, desempenho, esforço ou relaxamento.
Corredores poderão evitar lesões em ligamentos ou músculos graças ao tênis de corrida “médico” (Imagem: Fraunhofer)
Dr. Tênis
Uma camisa inteligente, contudo, não tem bola de cristal para saber o que está acontecendo nos pés. E, se correr é o esporte mais popular, apesar de seus inúmeros efeitos positivos, a corrida é também um esporte com muitos efeitos colaterais indesejáveis.
Corredores correm riscos de torção ou de ferir uma articulação do tornozelo, especialmente em terreno irregular ou quando muito cansados. Sem um aquecimento adequado, quem sofre são os joelhos e músculos.
Para minimizar esses danos, seis parceiros estão desenvolvendo um tênis de corrida inteligente no Projeto RUNSAFER, financiado pela União Européia.
Sensores e circuitos eletrônicos integrados na sola do tênis medem os dados biomecânicos do atleta e avaliam a forma do corredor com a ajuda de medições em tempo real.
“Relógios de pulso ou fitas toráxicas detextam apenas sinais vitais como a respiração e a frequência cardíaca. Em contraste, nosso tênis de corrida avalia e monitora o treinamento de “forma médica”. Ele informa ao corredor, por exemplo, sobre posição incorreta do pé, carga assimétrica e alerta sobre exaustão ou sobrecarga. Nunca existiu um dispositivo comparável a este”, garante o Dr. Andreas Heinig, coordenador do grupo.
As novas tecnologias que permitem a customização em massa, como a impressão 3D, podem levar o mundo para a terceira revolução industrial, onde os “wearables” – tecnologia “vestível” – como relógios inteligentes, e as casas inteligentes terão também um lugar de destaque num futuro não muito distante.
A customização em massa pode alimentar aquilo que pode ser o início da terceira revolução industrial, segundo Shaun DuBravac, economista chefe na Associação de Eletrónica de Consumo (AEC). Ao mesmo tempo, a eletrónica wearable vai “explodir” este ano e as interações dos consumidores com os computadores estão tornando-se mais intuitivas, com os sensores presentes em muitos dispositivos.
DuBravac apresentou as tendências tecnológicas para 2014 antes do Consumer Electronics Show (CES) – Las Vegas, 7 a 10 Janeiro 2014. As estimativas apontam para vendas de 100 mil impressoras 3D nos EUA no próximo ano e, embora este número seja ainda relativamente pequeno (deverão ser vendidas 40 milhões de televisões nos EUA em 2014), a categoria está crescendo e em desenvolvimento. A tendência de customização em massa, contudo, não se verifica apenas na produção. Dissemina-se também de outras formas, como no software e serviços. A funcionalidade de chat de vídeo Mayday da Amazon para o seu Kindle Fire HDX, por exemplo, permite que um representante de apoio ao cliente veja e controle a tela, customizando a experiência para cada utilizador individualmente.
Outra tendência que tende a ganhar terreno é o poder dos tablets e smartphones como dispositivos de acesso à Internet preferidos. DuBravac considera que 2014 e 2015 serão os anos em que a base de dispositivos móveis irá ultrapassar os tradicionais computadores de secretária e portáteis.
Irá também haver um direcionamento para telas flexíveis, numa forma que irá exibir as possibilidades da tecnologia, embora não necessariamente o potencial comercial, pelo menos para já. DuBravac distinguiu, inclusivamente, tecnologia que é tecnicamente possível e tecnologia que é comercialmente viável. Ambas puderam ser vistas esta semana no CES e ambas, considera ele, são importantes.
Uma área onde a capacidade técnica tem sido demonstrada há vários anos sem grande sucesso comercial é a área dos wearables, mas isso deve mudar e uma multitude de novos dispositivos deverá chegar ao mercado este ano. Os relógios inteligentes e os dispositivos de monitorização de fitness são duas das categorias mais importantes e o seu sucesso está sendo impulsionado pelos smartphones e tablets que funcionam como dispositivos centrais – lidam com as necessidades de processamento, permitindo que os próprios dispositivos inteligentes sejam muito mais finos e, muito importante, mais baratos.
Ao mesmo tempo, à medida que o preço dos sensores como lentes para câmaras e acelerômetros baixa, a sua utilização está expandindo-se consideravelmente e isso significa que podem ser usados em conjunto para resolverem problemas mais complexos e propiciar uma experiência mais completa.
Um exemplo dado por DuBravac são os carros sem condutor, mas também haverá futuros exemplos nas casas inteligentes – por exemplo, aparelhos que comunicam com um smartphone e ajustam vários parâmetros automaticamente, dependendo de quão perto está uma pessoa de chegar a casa. Tanto a Samsung como a LG estão preparando grandes lançamentos para breve.
Uma última tendência da tecnologia é a monitorização da informação à medida que muda e altera a experiência. DuBravac considera que esse tipo de interação dinâmica deverá ser visto nas lojas de vestuário no futuro, com telas de preço que mudam automaticamente com base em fatores como a oferta e a procura e as condições locais do mercado.
Mais informações: http://ces.cnet.com/
Durante uma das principais feiras de tecnologia do mundo, em Las Vegas (EUA), a Intel anunciou que fez parceria com duas empresas para desenvolver um bracelete inteligente. Enquanto a tecnologia embutida, que inclui comunicação sem fio, é fornecida pelo fabricante americano de chips, o design da pulseira ficou a cargo da marca britânica Open Ceremony e a venda do produto será feita pela rede de varejo de artigos de luxo Barneys New York. O anúncio é superficial. Fala do acordo em linhas gerais, sem mencionar as funcionalidades embarcadas no bracelete ou preço, nem mostra fotos. A imprensa internacional publica que o produto começa a ser vendido no final do ano, com as coleções de outono do hemisfério norte. A Intel brasileira não confirma a informação.
Para provar que fala sério sobre investir em tecnologia ‘vestível’, a Intel lançou na mesma feira o desafio global Make it wearable, pelo qual profissionais do mundo inteiro são estimulados a criar produtos de moda que as pessoas possam vestir,a partir do novo chip Edison. Reservou para a ação US$ 1,3 milhão, dos quais o primeiro lugar embolsará US$ 500 mil. Os vencedores têm a promessa de a Intel aproximá-los com empresas que possam produzir o projeto.
A disputa começa no meio do ano, com inscrições abertas a pessoas (e não empresas), de uma lista restrita de países que só será conhecida quando da abertura oficial do desafio. Os vencedores serão anunciados em janeiro de 2015. O segundo lugar receberá US$ 200 mil e o terceiro lugar, US$ 100 mil. Os outros US$ 500 mil serão distribuídos aos dez finalistas, em cotas de US$ 50 mil para cada um, “para ajudá-los a tirar as idéias do papel”, informa a Intel.
Ainda em Las Vegas, a Intel anunciou o projeto com o CFDA (Council of Fashion Designers of America), pelo qual pretende aproximar os 400 designers de moda que são membros da associação da comunidade de desenvolvedores de hardware e software que orbita em torno da Intel. “Os compromissos da CFDA são estimular a inovação da indústria da moda e à medida que enxergamos o poder da tecnologia e sua influência na moda, acreditamos que a tecnologia precisará fazer parte do DNA da indústria da moda”, disse Steven Kolb, CEO da CFDA, em comunicado ao mercado distribuído pela Intel.
Fonte: Textileindustry.ning.com
A indústria têxtil na busca pelo aprimoramento de seus processos
para acompanhar as tendências do mercado consumidor
POR Fábio Dutra *
O tema inovação tem marcado presença na pauta de diversas empresas, instituições, entidades e governos, além de ter motivado a produção de artigos, palestras e livros. Não é por menos. O que justifica a importância dada ao tema é sua relevância para o momento em que vivemos. Desde a abertura do mercado nacional, promovida no início da década de 1990, muita coisa mudou. Na época, ainda não tínhamos estrutura de importação suficiente para que produtos importados chegassem ao nosso mercado em volumes significativos. Faltavam, dentre tantas coisas, contêineres. Hoje, o cenário é diferente. Além de ter ocorrido uma evolução (ainda insuficiente) nessa estrutura, os produtos importados também mudaram. O valor agregado a esses produtos são uma realidade, e a “simples” guerra por preços baixos já não é mais determinante para ganhar a preferência do consumidor. Além da busca por atribuir valor ao produto, a evolução dos processos deve ser perseguida pelas empresas.
A indústria brasileira – têxtil e de confecção principalmente – vive um momento em que inovar é a saída para a sobrevivência. Quem não conseguir lidar com o tema ou não der a devida importância certamente passará por sérias dificuldades. Inovar é fazer novo, diferente do que já é feito. Deve haver certo grau de ineditismo no que se propõe a realizar, seja esta inovação radical ou incremental. O importante é sabermos que a inovação nem sempre está ligada a altos investimentos e não é alcançável somente por grandes empresas.
Uma inovação é uma invenção introduzida no mercado com sucesso. E para que se alcance o sucesso é importante que a empresa consiga criar uma cultura inovadora, através da geração e seleção de ideias e da materialização destas por meio de projetos. A geração dessas ideias, invenções e inovações acontece por meio de colaboração e conexões. Ouvir colaboradores (independente do setor que atuem), clientes e fornecedores pode ser um bom ponto de partida para a geração de ideias, sejam elas voltadas à inovação de produto ou de processo.
Como exemplo de inovação de produto na área têxtil, pode-se citar alguns produtos desenvolvidos para o esporte de alto rendimento, como por exemplo, o maiôs para natação feitos pela Speedo. Os desenvolvedores se utilizaram da biomimética (capacidade de imitar a natureza) para reproduzir a pele do tubarão, reduzir a resistência na água e aumentar o desempenho dos atletas. A inovação não está somente no tecido e sim no conjunto da obra, que tem modelagem dimensionada a permitir todos os movimentos necessários para que o atleta tenha o maior rendimento possível nas piscinas. A indústria têxtil e de confecção ainda tem bastante a evoluir neste sentido, quebrando paradigmas e aprimorando seus processos para acompanhar as tendências do mercado consumidor. Cada vez mais o mercado caminha para a customização. A produção em massa, com o passar do tempo, perderá sua competitividade e talvez até sua razão de existir para a maioria dos segmentos voltados ao consumo. O consumidor quer novidade, agilidade e velocidade no giro dos produtos nas vitrines. Isso é o que o motiva a compra. Há também a inovação em marketing, alcançada com maestria por algumas empresas. Talvez um dos mais emblemáticos dos exemplos seja o caso da marca Havaianas, que reposicionou seu produto no mercado de forma esplêndida. O quarto tipo é a inovação organizacional, em que a empresa promove uma mudança na estrutura organizacional ou nas práticas de gestão e negócio, buscando aumentar seu desempenho. Há inúmeros exemplos quanto a este tipo de inovação, que vai de Google a Cirque Du Soleil.
Indústrias têxteis e centros de pesquisa espalhados pelo mundo têm gerado ideias inovadoras na área têxtil, que extrapolam as barreiras de cama, mesa, banho, vestuário e outros segmentos que estamos acostumados a associar com a produção têxtil. As áreas chave vão de saúde e bem-estar à segurança e proteção, passando por vestuário de alta-performance, habitat e transporte. Trabalhos realizados com fibras alternativas e materiais em nano escala permitem atribuir funcionalidades aos produtos sem que se perca o conforto ou a maleabilidade da peça. São inúmeros os exemplos de inovação, dentre eles pode-se citar toalhas com condutores térmicos utilizadas em tratamentos através de termoterapia ou roupas íntimas para incontinência urinária, mantendo as mesmas características e conforto das peças comuns. Algumas inovações ainda não são acessíveis a todas as indústrias por demandarem investimentos maiores. Contudo, há fontes de fomento dispostas a financiar projetos de caráter inovador. Para que isso aconteça é importante que as empresas busquem informações e auxílio em institutos de pesquisa para desenvolvimento de projetos em conjunto. A inovação não nasce num estalar de dedos ou da noite para o dia. É um processo de busca constante por informação e de geração de conhecimento. A criatividade é um processo que envolve imaginação, conhecimento e capacidade de avaliação. Porém, é preciso começar o quanto antes!
*Gerente Técnico do Instituto Senai de Tecnologia Têxtil Vestuário e Design em Santa Catarina.
É Administrador de Empresas e Especialista em Engenharia de Produção e Gestão Estratégica Empresarial.
Fonte: http://www.usefashion.com
Apesar da produção de vestuário nos EUA ser mais cara do que em muitos dos destinos privilegiados para sourcing, parece que as diferenças estão sendo reduzidas, face à escalada dos preços nesses países. Mas neste processo de revitalização do “made in America”, a empresa Maker's Row pode estar tendo um papel-chave.
Quando Roberto Torres e os seus sócios fundaram, em 2008, a empresa de vestuário Black & Denim, sediada na Flórida, estavam longe de imaginar o longo tempo necessário para transformar o “made in America” em realidade. “Passamos os primeiros três anos tentando encontrar fornecedores nos EUA”, revela Roberto Torres.
O processo da Black & Denim para encontrar a cadeia de suprimentos doméstica incluiu diversas e longas viagens.Torres passou semanas visitando fábricas na Chinatown de Nova Iorque, em Los Angeles e em El Paso no Texas, à procura de um fabricante para responder às necessidades de um designer de moda masculina de Tampa – Florida.
Depois de finalmente encontrar alguns fabricantes, Torres e os sócios terminaram o seu plano de negócios. A primeira coleção masculina da Black & Denim foi lançada no outono de 2010. Em 2012, as receitas foram de 100 mil dólares.
Para cada pequeno designer existente nos EUA, há o potencial para colocar pessoas trabalhando em muitas outras pequenas e médias empresas. A Black & Denim lida diariamente com cerca de 10 fornecedores, incluindo de denim, algodão, couro, acabamentos, bordados, confecção e expedição. “Como empresa, estamos afetando outras 10 empresas. Produzir nos EUA é, desta forma, significativo”, afirma Torres.
E manter a produção nos EUA não é apenas uma boa jogada de marketing. “Ter aqui o controle da qualidade é fundamental”, considera Torres. “Isso permite-nos reagir melhor e mais rapidamente ao mercado. Permite-nos catapultar ou iniciar tendências que outras pessoas possam seguir. Não é apenas um benefício, é a forma como fazemos o negócio”, explica.
Mesmo assim, quando a decisão foi tomada para ramificar a oferta para a moda feminina, houve a desagradável percepção de que novos fornecedores teriam que ser procurados. Então Torres encontrou a Empresa Maker's Row, um serviço de listagem de fabricantes de vestuário dos EUA. Sendo o único sócio que trabalha em tempo integral na empresa, monitora cuidadosamente “tudo que tenha a ver com moda e tecnologia”. Três meses depois de encontrar a Maker's Row, a sua procura por fornecedores foi concluída. Torres diz que a extensa lista de empresas presentes na Maker's Row não só tornou mais fácil encontrar fabricantes, como também permitiu-lhe negociar melhores contratos.
Hoje em dia, uma nova geração de empresas está ajudando os empresários americanos a capitalizar com a revolução industrial das pequenas produções. Na sede da Maker's Row, os fundadores do website, Matthew Burnett e Tanya Menendez, estão determinados em reunir os designers e os fabricantes que possam ajudá-los a transformar as suas ideias em realidades lucrativas. Em suma, querem que o “made in America” entre outra vez na moda.
Apesar do MakersRow.com ter sido lançado apenas em novembro de 2012, o website parece estar no caminho certo para se tornar no Match.com da produção americana.
A primeira parceria de Burnett com Menendez (então um empregado da Goldman Sachs trabalhando em projetos de automação) ocorreu no final de 2010 para construir a Brooklyn Bakery, uma empresa de artigos de couro de fabricação americana.
Anteriormente, Burnett tentou a sua sorte com a tentativa de fabricar no exterior, através da sua primeira experiência empresarial, uma empresa de relógios chamada SteelCake. Ele recebeu um interesse significativo por parte das lojas, e celebridades como Kanye West usavam os relógios. Mas a sua dependência em fábricas no exterior afundou o negócio, conforme vamos revela a segunda parte deste artigo que publicaremos em breve.
Fonte: Reuters
Representando apenas 1% do comércio internacional de vestuário, a Industria Têxtil e de Vestuário Africana tem ainda um longo caminho a percorrer para ultrapassar as debilidades infraestruturais, laborais e tecnológicas – isto se pretender conquistar uma fração maior do mercado global.
No evento Source Africa, que decorreu na Cidade do Cabo neste ano, esteve em discussão o potencial papel que as empresas africanas poderão desempenhar no comércio internacional de têxteis e vestuário.
A África do Sul, a maior economia do continente e, tradicionalmente, um centro para o têxtil e vestuário da região, tem evidenciado a dificuldade das empresas africanas em resistir à enchente de produtos asiáticos de baixo custo, conforme salientou Liz Whitehouse, sócia-gerente da Whitehouse & Associates, com sede na África do Sul.
O indústria de vestuário da África do Sul tem estado sob enorme pressão há algum tempo, com as importações totais do setor agora avaliadas em 1,5 bilhões de dólares – um aumento de 370% ao longo da última década. O governo associou o declínio da indústria local às importações chinesas e, como resposta, impôs quotas sobre esses bens.
“Isto deixou uma lacuna no mercado, que foi preenchida por Bangladesh e o Vietnam, e a Ásia já responde por 80% das importações sul-africanas de vestuário”, revelou Whitehouse. A responsável acrescentou que a África do Sul e outros países poderiam aprender com as Ilhas Mauricio, cujos produtos estão registrando vendas consideráveis no seu país.
Como maior exportador de vestuário da África Subsariana, as Ilhas Mauricio venderam 769 milhões de dólares de produtos têxteis e vestuário internacionalmente em 2010, mais do dobro de Madagáscar, seu rival mais próximo. “As Ilhas Mauricio fornece produtos de elevada qualidade e tem utilizado a sua proximidade física com África e prazos mais curtos para construir uma boa relação com várias confecções da África do Sul. São flexíveis, cumprem os prazos de entrega, têm uma forte capacidade de design e um prazo de resposta de duas semanas”, enumerou Whitehouse.
Embora a situação na indústria têxtil e vestuário da África do Sul seja grave – pelo menos 50 mil postos de trabalho foram perdidos no setor do vestuário na última década –, podem existir razões para esperança. A indústria local tem registado um crescimento modesto desde 2010, quando as exportações aumentaram dos 166 milhões de dólares no ano anterior para os 174 milhões de dólares.
O diretor-geral do Departamento de Comércio e Indústria da África do Sul, Lionel October, afirmou que o programa de competitividade para os têxteis e vestuário (CTCP), criado para apoiar a indústria, ajudou a mudar a situação. “Os Confeccionistas locais estão aumentando as compras dos fabricantes locais e a confiança começa a aparecer através de novos investimentos no setor”, disse ele. “O CTCP parou o declínio do desemprego nesses setores e foram criados mais de 12 mil novos empregos permanentes”, resumiu October, que acrescentou ainda que mais de 400 empresas foram ajudadas pelo CTCP, com 165,5 milhões de dólares aprovados.
Ao nível regional, o setor privado também está reagindo, tendo formado em 2005 a African Cotton and Textile Industries Federation (ACTIF). O diretor executivo desta federação, Rajeev Arora, apontou que “o foco principal da organização é desenvolver as cadeias de valor e garantir o investimento direto estrangeiro, para que possamos desenvolver a capacidade dos produtores.Trabalhamos ao nível consultivo com a maioria dos governos e estamos discutindo como os acordos como o AGOA devem ser implementados após 2015, quando está prevista a sua conclusão. Existem muitos desafios, mas estamos trabalhando para lidar com eles”, concluiu Arora.
Fonte: just-style.com
Em breve as empresas do setor têxtil e de confecção brasileiras devem adotar uma nova tecnologia já aplicada em outros países e que permite a rápida identificação de produtos sem a necessidade da leitura direta do usual chip. Também será possível passar as compras no caixa de uma só vez, sem precisar registrar uma a uma. Com ela, também existirá a possibilidade de ser mais competitivo, uma vez que a novidade poderá trazer redução de custos, aumento da produção, um ágil controle do estoque e de reposição de produtos. Pode até parecer coisa do futuro, mas tudo isso e muito mais já é possível graças à tecnologia RFID (identificação por radiofrequência ou do inglês "Radio Frequency IDentification).
A aplicação prática da nova tecnologia é simples: o segredo está na etiqueta ou tag RFID, um pequeno objeto (transponder) que pode ser colocado em uma pessoa, animal, equipamento, embalagem ou produto, dentre outros. Ela contém chips de silício e antenas que lhe permite responder aos sinais de ondas de rádio enviados por uma base transmissora. Pode ser usada como alternativa aos códigos de barras, permitindo a identificação do produto a alguma distância do scanner. A tecnologia viabiliza, assim, a comunicação de dados através de transponders que transmitem a informação a partir da passagem por um campo de indução, como o que é usado em pedágio "sem parar", por exemplo.
O Japão e os Estados Unidos são os países que mais usam a tecnologia RFID no segmento de vestuário no mundo, ambos com 23%. Na sequência, vem Alemanha (14%), Itália (7%), China (6%), França (5%), Reino Unido (4%), Espanha, Holanda e Suécia (2%). Os dados são de 2011 e apurados pela empresa ID TechEx. Agora, a identificação por radiofrequência começa a dar tímidos sinais no Brasil. Alguns hospitais, casas noturnas, shopping centers e empresas do setor têxtil e de confecção já adotaram o sistema com o intuito de automatizar e virtualizar suas vendas.
No Brasil, a Vip-Systems Informática e Consultoria é pioneira no desenvolvimento de projetos para o varejo têxtil com a tecnologia e criou a primeira loja inteligente da América Latina. Regiane Romano, CIO da Vip-Systems, é especialista em transmissão por radio frequência e fez parceria com a Billabong (rede de franquias de moda surf), em 2011. A loja modelo da marca, localizada na Grande São Paulo, conta com 15 dos 18 itens tecnológicos oferecidos para melhorar a gestão do negócio. A Billabong etiqueta as peças de roupas na própria loja e oferece experiências de interatividade ao consumidor final, como um espelho que permite experimentar peças virtualmente.
A Memove, marca do Grupo Valdac, também implantou a tecnologia em sua logística. A empresa distribui as etiquetas RFID aos seus fornecedores que as aplicam nas roupas. Assim, a marca pode fazer controle de estoque, como tamanho e cores das peças, por meio das informações das tags, além de ter facilidade na distribuição e reposição.
“Poucas confecções brasileiras usam a rádio frequência, mas esse é um hábito que deve mudar nos próximos anos”, declara Romano, que também é doutora no assunto e acaba de lançar o livro sobre o assunto. “À medida que os empresários tomam conhecimento dos benefícios do RFID, eles se interessam em saber mais a respeito da implementação da tecnologia”, acrescenta. Segundo Regiane Romano, o custo médio de uma tag RFID é de R$ 0,40 e o kit básico de implantação, que inclui um leitor e quatro antenas, gira em torno de US$ 5 mil. Os valores também podem variar de acordo com o porte e as necessidades de cada empresa. “Temos informação de que grandes empresas de varejo já estudam a tecnologia”,
De acordo com Flávia Ponte Bandeira S. Costa, Marketing e Relações Institucionais da GS1- Associação Brasileira de Automação, o uso do RFID é uma tendência mundial, que aumenta o valor agregado dos produtos. “Temos o exemplo da rede americana Macy’s que implantou a tecnologia desde seus processos de logística até a experiência para o público final”, cita. “Para a indústria de confecção a tecnologia é importante na reposição de estoque, na logística de expedição de produtos e no inventário, que pode ser feito online. Além disso, a adoção do sistema reduz o custo da operação, pois diminui em 20% o trabalho da equipe de estoque”, destaca. Recentemente a GS1 participou de um workshop sobre a tecnologia RFID, na sede da Abit, em São Paulo.
O grupo Aion Jeans, de Campo Mourão (PR), produz 200 mil peças por mês, sendo que todas já contam com as etiquetas RFID. A empresa adotou a tecnologia há pouco mais de um ano. De lá pra cá ganhou agilidade nos processos de expedição e está mais competitiva. “Nossa produção aumentou, pois com os portais de RFID passamos lotes de até 80 peças de uma vez pelo equipamento para dar entrada ou acusar a saída da mercadoria. Isso faz com que possamos aceitar mais pedido, pois estamos mais ágeis”, comenta Josimar Loch, responsável pela área de estrutura e tecnologia do grupo Aion Jeans. Ele acrescenta que se o lojista também tiver a tecnologia RFID em seu comércio, pode utilizar a mesma etiqueta implantada na fábrica da Aion para fazer seu próprio controle de estoques.
Entre outras vantagens, Loch também ressalta a segurança que a nova tecnologia proporciona. Cada peça com a tag RFID possui um código único no mundo, o que evita transtornos no caso de uma possível troca, por exemplo. “Se um cliente quiser trocar a calça jeans que tiver RFID e entregar outra peça, podemos identificar que a peça que o consumidor levou para a troca não é a mesma que comprou anteriormente”, enfatiza.
O RFID Research Center, na Universidade de Arkansas (EUA), é referência mundial de tecnologia RFID.
Fonte: www.abit.org.br
A indústria têxtil e vestuário africana poderá beneficiar-se de uma eventual desaceleração nas exportações chinesas, mas apenas se for implementada no país uma vasta gama de reformas. Salários mais baixos e matérias-primas mais baratas são alguns dos trunfos em mão.
Os oradores presentes no Source Africa no início de Abril acreditam que, se as dificuldades sentidas atualmente pela indústria têxtil e vestuário no continente africano forem superadas, então as empresas poderão prosperar.
Roy Ashurst, um comprador senior para a norte-americana PVH Corporation, revelou aos delegados que o valor anual das exportações chinesas de têxteis e vestuário deverá cair dos 250 para os 200 bilhões de dólares nos próximos anos. “Esta é uma oportunidade de 50 bilhões de dólares que as empresas africanas poderão aproveitar. Os salários em África são agora mais baixos e as matérias-primas mais baratas do que em qualquer outro lugar do mundo, por isso acho que chegamos a um ponto que poderá levar a uma revitalização da indústria no continente”, explicou Ashurst.
Thomas Farole, especialista senior em comércio no Banco Mundial, concordou, salientando o aumento dos custos chineses. “O salário mínimo na China duplicou nos últimos cinco anos, de modo que neste ponto a África tem uma grande vantagem em relação ao maior produtor de têxteis e vestuário do mundo. À medida que os salários chineses aumentam, o país irá cortar 85 milhões de postos de trabalho (em todos os setores)”, justificou Farole. O responsável acrescentou que a relativa proximidade da África em relação à Europa e aos EUA também poderá ajudar. “Existe também uma mudança nas empresas no sentido do regresso às redes regionais para aquisição de suas necessidades. Os compradores nos EUA e na UE não querem esperar quatro semanas para obter estoques e os produtores chineses têm dificuldade em responder rapidamente às encomendas”, acrescentou Farole.
Mas a África ainda terá de competir com países exportadores asiáticos, como: Indonésia, Vietnam e Bangladesh. Mesmo com acordos preferenciais de comércio, como o AGOA (African Growth & Opportunity Act), as empresas africanas têm lutado para competir ao nível local, regional e internacional.
Samuel Gayi, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), explicou que a indústria têxtil e vestuário de África continua a ser demasiado pulverizada para a economia global, prejudicando a competitividade. Atualmente as empresas de têxteis e vestuário trabalham em pequenas zonas economicas, com frágeis infra-estruturas de transporte e mercados laborais ineficientes. Além disso, as empresas têm de lidar com as elevadas taxas de inflação, a ameaça de instabilidade política e instituições frágeis. “A infraestrutura é a chave para aumentar o comércio em geral. As estradas pan-africanas poderão custar 32 bilhões de dólares, mas podem gerar 250 bilhões de dólares de comércio adicional ao longo de 15 anos. Existem planos para desenvolver estes corredores de transporte, mas necessitam ser implementados”, comentou Gayi.
Este investimento irá fomentar as exportações para fora do continente, mas também o comércio inter-África, que é ainda mais dificultado pelas inadequadas políticas nacionais de transportes, ambientes de negócios difíceis e fronteiras e procedimentos aduaneiros ineficientes.
As estatísticas do Banco Mundial mostram que nos últimos 20 anos a África Subsariana assegurou apenas 1% do comércio mundial de vestuário, com a China a recebendo uma participação de 41%.
Os dados da International Textile Manufacturers Federation (ITMF) confirmam: em 2011, a China permaneceu como o maior exportador de têxteis e vestuário do mundo e nenhum país africano apareceu nos 20 primeiros lugares. O melhor desempenho foi o do Egito, um produtor de algodão histórico, que exportou 3,5 bilhões de dólares. Como evidência adicional da estagnação da indústria na maior parte da região, a ITMF indicou que o investimento em tecnologia e competências, necessário para desenvolver a indústria de vestuário em África foi extremamente baixo ao longo dos últimos 10 anos.
Mas além das dificuldades existentes, ao nível tecnológico e infraestrutural, as empresas africanas de têxteis e vestuário têm ainda de enfrentar o fluxo de importações provenientes da Ásia.
Fonte: just-style.com
Tradução livre: Sandro F. Voltolini – Autor do Blog Textime
A energia gerada pelo material piezoelétrico é reforçada pelos efeitos eletrostáticos, gerando uma tensão e uma corrente significativamente maiores. [Imagem: Kim et al./EDES]
MODA ELETRÔNICA
Os tecidos inteligentes, ou e-tecidos, estão entre os conceitos mais promissores quando o assunto é deixar os equipamentos eletrônicos verdadeiramente portáteis.
De um lado, a eletrônica flexível tem avançado rapidamente, já podendo contar não apenas com fios de algodão que transmitem eletricidade, mas também com transistores de algodão eletrônico.
De outro, o problema é alimentar a eletrônica incorporada nas roupas, o que tem sido feito comnanogeradores, baterias flexíveis e roupas capazes de armazenar eletricidade nas próprias fibras.
Foi neste setor da eletrificação que pesquisadores coreanos conseguiram o avanço mais recente nesse emergente campo da "moda eletrônica".
Híbrido estática-piezoelétrico
Hyunjin Kim e seus colegas da Samsung conseguiram reunir os materiais piezoelétricos - que geram energia a partir do movimento da pessoa que usa a roupa eletrônica - com materiais que capturam a eletricidade estática, que também se acumula com o movimento da roupa.
Nesse sistema híbrido, a energia gerada pelo material piezoelétrico é reforçada pelos efeitos eletrostáticos, gerando uma tensão e uma corrente significativamente maiores.
A parte piezoelétrica usa os já tradicionais nanofios de óxido zinco, usados na maioria dos nanogeradores.
Os nanofios foram incorporados em uma malha feita com fibras artificiais - o tecido propriamente dito - recobertas com prata e, a seguir, com uma película de polietileno.
Eletrizante
Os nanofios piezoelétricos produzem eletricidade quando o tecido da roupa é movimentado, flexionando os nanofios.
Já a eletricidade estática é gerada pelo movimento entre o filme de polietileno e as fibras revestidas com prata.
Com um pedaço de tecido eletrônico de alguns centímetros quadrados, os pesquisadores produziram uma corrente de 2,5 mA, a uma tensão de 8 volts, largamente superior a qualquer outro dispositivo similar.
No experimento de demonstração, o e-tecido gerou energia suficiente para alimentar uma tela de cristal líquido de 9 x 3 centímetros e um LED.
Bibliografia:
Enhancement of piezoelectricity via electrostatic effects on a textile platform
Hyunjin Kim, Seong Min Kim, Hyungbin Son, Hyeok Kim, BoongIk Park, JiYeon Ku, Jung Inn Sohn, Kyuhyun Im, Jae Eun Jang, Jong-Jin Park, Ohyun Kim, SeungNam Chax, Young Jun Park
Energy & Environmental Science
Vol.: 5, 8932
DOI: 10.1039/c2ee22744d
| Um material praticamente transparente, que absorva a luz visível e deixa de fora o calor é um sonho longamente perseguido pelos cientistas. [Imagem: Ghenuche et al./PRL] |
O que gera mais impacto em termos ambientais, uma peça de roupa feita com polipropileno ou uma produzida com algodão? E entre o poliéster e a lã? Sim, como em todas as perguntas cuja resposta soa óbvia, a correta é a opção que “parece absurda”: a de algodão e a de lã, nas comparações acima. Pelo menos é o que afirma um levantamento feito pelo Sustainable Apparel Coalition (SAC), um grupo de empresas ligadas ao ramo calçadista e de vestuário que se associou a organizações sem fins lucrativos para criar e implementar um índice do desempenho ambiental e social de roupas e calçados. Trata-se de uma iniciativa espontânea, financiada pelas próprias empresas, que conta com mais de sessenta membros, dentre os quais estão grandes fabricantes e varejistas, como Adidas, DuPont, Coca-Cola, Levi´s, Nike e Walmart.
Lançada em julho de 2012, essa versão 1.0 do Índice Higg é focada nos aspectos ambientais, com avaliação das seguintes categorias: uso da água, energia e gases do efeito estufa, resíduos sólidos e toxicidade química. Na versão de 2013 serão incorporadas medidas dos impactos sociais e trabalhistas. O indicador tem por objetivo:
Ainda que os dados sejam públicos, basta preencher um cadastro simples para recebê-los, o índice vai servir neste primeiro momento sobretudo às empresas ligadas à cadeia de produção e distribuição, que podem usá-lo para como ferramenta para identificar oportunidades de melhora e inovação. Uma medida de fácil compreensão para os consumidores—como a adotada para os aparelhos elétricos, que trazem uma tabela classificadora do gasto de energia— está nos planos da SAC, embora a data de lançamento ainda não tenha sido estabelecida. “Esta ferramenta permite que nossas equipes percebam como melhorar nossa cadeia de produção e, ainda mais importante, como reduzir nosso impacto ambiental”, afirma Scott Lecel, diretor de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da varejista Target no comunicado de lançamento do Higg.
Veja abaixo a pontuação de alguns itens.
Fonte:|http://www.bmfbovespa.com.br/novo-valor/pt-br/na-sua-vida/2012/Empr...
Maior volume de vendas deve ser registrado no Sudeste
Rio de Janeiro - Os gastos da Classe C com moda tiveram um crescimento de 153,2% entre 2002 e 2012, saltando de R$ 22 bilhões para R$ 55 bilhões, segundo dados do Instituto Data Popular. De acordo com o estudo, o maior consumo deste ano deve ser registrado no Sudeste (48%), seguido pelo Nordeste (19%), Sul (18%), Centro Oeste (7,9%) e Norte (7,5%).
No comparativo entre classes, a C aparece em segundo lugar em volume de compras, com 46%. Em primeira colocação aparece a AB, com 37,6% e, em terceira, a DE, com 16,4%. Entre os gêneros, as mulheres saem na frente quando o assunto é interesse por moda (80,5%), contra 54,8% dos homens.
Quando questionados sobre a frequência com que adquirem novas roupas, 51,4% dos integrantes da Classe C afirmaram fazê-lo uma vez a cada três meses. Do total de entrevistados, 77,9% disseram buscar informações sobre moda antes de uma nova compra e 61,7% apontaram a preferência pelos shoppings centers.
Fonte:www.exame.abril.com.br
Os salários ainda estão aumentando na China e muitas empresas têm dificuldade para preencher suas vagas, apesar do declínio acentuado na economia - evidência de uma escassez estrutural de mão de obra que pode ajudar o país a ajustar-se ao crescimento mais lento sem instabilidade política e estimular o apetite do consumidor por produtos estrangeiros.
Refletindo o aperto na oferta de mão de obra, os salários das famílias urbanas aumentaram 13% no primeiro semestre ante um ano atrás, e a média do salário mensal de trabalhadores migrantes subiu 14,9%, de acordo com dados do Órgão Nacional de Estatística da China. Uma pesquisa do Ministério do Trabalho em 91 cidades no primeiro trimestre mostrou que a demanda por trabalhadores excedeu a oferta num nível recorde, indicando um baixo desemprego.
A escassez de trabalhadores, que contrasta com o nível preocupante do desemprego nos Estados Unidos e na Europa, ajuda a explicar por que Pequim não corre para repetir os programas de estímulo maciços que pôs em prática em 2009. Naquela época, o colapso do comércio mundial forçou demissões em larga escala nas fábricas ao longo da costa, e cerca de 20 milhões de trabalhadores migrantes voltaram para o interior. Os temores de agitação social que isso gerou levaram o governo a gastar generosamente com ferrovias para trens-bala, estradas e outros projetos de estímulo ao crescimento.
Até agora, a desaceleração não se mostrou tão severa quanto em 2009, quando a economia mundial mergulhou na recessão. Sheng Laiyun, porta-voz da Agência Nacional de Estatística, disse que cerca de 6 milhões de novos empregos foram criados nas cidades chinesas no primeiro semestre e os números do emprego de migrantes também subiram.
Mas salários em alta também têm os seus riscos. Na China, os salários ainda estão partindo de uma base muito baixa, mas sobem depressa. Às taxas atuais, os salários do setor privado de manufatura vão dobrar entre 2011 e 2015, e triplicar até 2017, corroendo a competitividade e prejudicando as exportações, que tiveram um papel fundamental no crescimento inicial da China. De fato, a Boston Consulting Group calcula que os salários na China podem ultrapassar os do México neste ano, levando em conta as diferenças de produtividade entre os dois países.
A transição para uma economia de altos salários, onde a produção do setor de serviços e o consumo doméstico têm um papel maior, não será tão linear. Ainda há decisões difíceis a tomar, incluindo a abertura de partes críticas do setor de serviços - como bancos e telecomunicações - a uma concorrência maior. Algumas decisões requerem confrontar grupos de interesse poderosos, como empresas estatais e governos locais. O processo vai se desenrolar por anos.
Os resultados terão consequências para aqueles que ganham e perdem com as rápidas mudanças na economia da China. O mesmo aumento nos salários que começou a elevar os preços dos produtos chineses no mercado mundial também deve erguer a demanda por bens de consumo importados. Os maiores beneficiados com o rápido crescimento chinês têm sido exportadores de commodities como a Austrália, rica em minério de ferro, e fabricantes de máquinas avançadas como a Alemanha. No futuro, os produtores de bens de consumo de primeira linha nos EUA e na Europa poderiam ganhar uma fatia maior do bolo.
O movimento de alta salarial vem sendo moldado por mudanças na população e nas políticas do governo. O tamanho da força de trabalho se estabilizou, dizem os demógrafos, e começará encolher na metade da década, acirrando a competição por trabalhadores. A China se comprometeu a aumentar substancialmente o salário mínimo, o que pressiona os empregadores a subir os salários dos funcionários mais qualificados. Também subiram as indenizações aos demitidos. Isso desencoraja demissões, a não ser que haja uma queda drástica nos negócios.
No passado, o crescimento estonteante do Produto Interno Bruto (PIB) - numa média de 10% ao ano nos últimos 30 anos - foi necessário para criar empregos para os milhões de jovens trabalhadores que inundavam o mercado todo ano. Agora, esse fluxo está perdendo fôlego, no mesmo momento em que a China passa a priorizar o crescimento do setor de serviços.
Essa dinâmica ajuda a explicar por que há poucos casos de demissões, ainda que o crescimento do PIB tenha sido de 7,6% no segundo trimestre de 2012, quase metade do pico de 14,8% atingido no segundo trimestre de 2007. Explica também por que os líderes chineses parecem mais otimistas quanto a um crescimento mais lento. "A taxa de crescimento potencial da China diminuiu", disse Chen Dongqi, um experiente pesquisador do governo, acrescentando que "7% a 8% agora é o normal".
O desemprego oficial da China foi de 4,1% no fim do primeiro trimestre, embora os dados cubram somente os trabalhadores urbanos e sejam considerados pouco confiáveis pela maioria. A taxa nos EUA foi de 8,2% em junho, sendo que os salários cresceram 1,7% no primeiro trimestre de 2012 comparado com um ano atrás. Na zona do euro, o desemprego atingiu 11,1% em maio, o nível mais alto desde a criação da moeda comum.
O vigor do mercado de trabalho na China vem das profundas mudanças demográficas. A política do filho único, introduzida no país em 1980, está começando a corroer o suprimento de trabalhadores. Em 2005, havia 120,7 milhões de chineses entre 15 e 19 anos de idade, segundo estimativas das Nações Unidas. Em 2010, esse número tinha caído para 105,3 milhões, e deve chegar a 94,9 milhões até 2015. (Colaboraram Kersten Zhang e Olivia Geng).
Fonte: Autor(es) - Tom Orlik e Bob Davis | The Wall Street Journal, de Pequim
Na primeira edição da Texprocess Americas, a feira de processamento de têxteis e materiais flexíveis, o grande tema de discussão foi à volta da produção de vestuário ao Ocidente, com muitos visitantes interessados em equiparem-se com novas tecnologias para fazer face ao futuro.
Um dos temas mais quentes na mais recente edição da Texprocess Americas em Atlanta, além dos avanços tecnológicos em exibição, foi à perspectiva de pelo menos algumas das operações de confecção regressar ao hemisfério ocidental.
Muitos expositores revelaram terem tido conversas com os clientes em relação a este cenário. Muitos se mostraram também interessados em avanços na automação para retirar parte dos custos de produção da confecção.
Mesmo que parte desta produção possa voltar aos EUA, os vendedores de máquinas acreditam que a migração irá acontecer primeiramente mais para o sul. “Penso que é seguro afirmar que uma parte significativa da confecção estará de volta ao Ocidente, mas a sua primeira parada será na América Central e do Sul”, sublinha Harry Berzack, da Fox Company, uma empresa fornecedora de equipamento de corte e costura sediada em Charlotte, na Carolina do Norte.
"Não vejo nenhum sinal de regresso aos EUA de um grande volume de artigos produzidos em massa que saíram. Mas além dos custos de produção, o país perdeu a sua fonte de trabalhadores de confecção, e ainda mais importante, os supervisores de linha, mecânicos de máquinas, Gerentes e Diretores, além de Engenheiros de Produção. Ouvi em várias ocasiões que as pessoas querem trazer de volta o trabalho, mas não conseguem encontrar mão de obra – isto numa economia com um desemprego tão elevado acrescenta.
Berzack acredita que a confecção que retornará, vai estar relacionada com vestuário de elevada qualidade e de preços mais altos para grandes marcas e algumas categorias de nicho, em vez da produção de jeans ou t-shirts em massa. “O fator limitativo pode, ironicamente, ser a disponibilidade de mão de obra. Talvez por isso vejamos tanto interesse em automação e na desqualificação do processo”, acrescenta.
Frank Henderson, presidente da Henderson Sewing de Andalusia, Alabama, indica que alguns clientes tinham um sentimento generalizado de não serem capazes de controlar o seu próprio destino com a produção asiática devido aos custos do transporte, aumento dos custos de produção e atrasos nos prazos de entrega. E revela que eles estão à procura da integração vertical, desde a produção do tecido à distribuição nas lojas, com pouca ou nenhuma intervenção humana. “Vários clientes disseram-nos que estão considerando mover a produção novamente para o hemisfério ocidental”, afirma Henderson. “Muitos mais clientes estão à procura de rapidez na chegada ao mercado fast fashion, com desenvolvimentos mais freqüentes e menos desembolso monetário à frente”.
Mike Fralix, presidente da Textile/Clothing Technology Corporation, faz comentários semelhantes. “Temos ouvido todo o ano, em relação à confecção, que as empresas estão repensando a sua estratégia de sourcing mundial. Não saindo deste mercado, mas reposicionando algum percentual de volta a este hemisfério: para o México, Colômbia e América Central, e acredite-se ou não, para os EUA. Tem sido mais conversa do que outra coisa, mas conversa é um indicador que as empresas estão começando a pensar e planejar”, considera.
A Gerber Technologies, que teve um dos stands mais movimentados na Texprocess, também observou esta tendência. “Estamos percebendo sinais de algumas pequenas produções regressarem aos EUA, retornando do Extremo Oriente”, destaca Bud Staples, vice-presidente de vendas para a América do Norte da Gerber Technologies. “A nossa equipa de vendas também começou a perceber parte do trabalho de design regressando aos EUA, sobretudo com empresas na Costa Oeste, que querem criar as suas próprias coleções e gerir produções de tamanho menor. “Estas empresas querem ganhar novamente o controle dos seus padrões para poderem assegurar um ajuste adequado”, acrescenta.
Forte participação de clientes americanos
Expositores, organização e visitantes pareceram todos satisfeitos com a feira, que incorpora a antiga SPESA Expo e fez a sua estréia nos EUA. A Texprocess decorreu em paralelo com a Techtextil North America, na sua nona edição. As feiras combinadas, organizadas pela Messe Frankfurt USA, atraíram mais de 6.800 pessoas ao Georgia World Congress Center.
“Foi já a 9.ª Techtextil North America, mas não me lembro de uma feira tão movimentada desde o primeiro minuto do primeiro dia”, sublinha Michael Jaenecke, diretor da Techtextil. “O feedback foi muito positivo no que refere à qualidade e quantidade de conversações de negócio. As razões são várias, entre as quais a recuperação da economia dos EUA, a combinação com a primeira edição da Texprocess Americas e o apoio das associações, a ATMA e a SPESA”, acrescenta.
Berzack afirma que houve uma forte participação de clientes americanos, mas as visitas da América Latina foram fracas. “A qualidade dos visitantes foi elevada e com participação de pessoas de decisão das empresas”, indica Berzack. “Muitos visitantes vieram para ver o que havia de novo e para onde a tecnologia está sendo direcionada. Pareceu-me que o principal interesse estava na tecnologia de enfesto e corte e não na costura. Se estiver correto, este é um sinal encorajador, já que o que é cortado mais tarde é costurado; e historicamente o corte tem muitas vezes sido o órfão no processo de produção”, explica.
Mark Hatton, diretor de marketing e administração de vendas da especialista em linhas de costura A&E, sedIada em Mount Holly, na Carolina do Norte, presente na Texprocess, ficou eufórico com os resultados da feira. “Destacamos três novas linhas de costura para vestuário desportivo que foram muito bem recebidas. A maior parte dos clientes indicou que o negócio está aumentando e pareceram otimistas. Talvez os preços mais baixos dos combustíveis estejam trazendo mais confiança às pessoas. Da perspectiva da A&E, os consumidores estão procurando tanto inovação, como os básicos. “Ouvimos falar muito de eficiência e automação”, revela.
A Merrow Sewing Machines escolheu Atlanta para lançar um novo produto. “Para a Merrow, a feira foi fantástica”, afirma o CEO, Charlie Merrow. “Tendo em conta que lançamos um novo ponto de costura, recebemos muita atenção. Temos trabalhado no novo ponto de costura overlock plano, o programa de marca para Activeseam e amostras há mais de um ano. Tendo em conta que o lançamento do programa em Atlanta foi tardio, acabou por ser o mais correto. “Foi uma feira suficientemente pequena onde pudemos passar tempo de qualidade com muitas pessoas”, destaca.
Maquinaria pesada foi coisa escassa na Techtextil North America, que agora incorpora os resquícios da ATME-I, que já não é uma feira independente. Mas máquinas e equipamentos menores, como equipamentos de teste, estiveram muito presentes. Estes incluem produtos de empresas como a SDL Atlas, que destacou o Drying Rate Tester, que determina as taxas de secagem dos tecidos. Este aparelho suscitou um particular interesse entre os visitantes da Techtextil North America. “Mede eletronicamente o tamanho de um tecido enquanto seca”, indica John Crocker, diretor de vendas para os EUA e Canadá da SDL Atlas. As empresas de artigos desportivos e produtores de vestuário estão entre os mercados alvo deste aparelho.
Fonte: www. portugaltextil.com