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domingo, 4 de agosto de 2013

04/08 – Roupa “Made in America” – Parte 1

Apesar da produção de vestuário nos EUA ser mais cara do que em muitos dos destinos privilegiados para sourcing, parece que as diferenças estão sendo reduzidas, face à escalada dos preços nesses países. Mas neste processo de revitalização do “made in America”, a empresa Maker's Row pode estar tendo um papel-chave.

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Quando Roberto Torres e os seus sócios fundaram, em 2008, a empresa de vestuário Black & Denim, sediada na Flórida, estavam longe de imaginar o longo tempo necessário para transformar o “made in America” em realidade. “Passamos os primeiros três anos tentando encontrar fornecedores nos EUA”, revela Roberto Torres.

O processo da Black & Denim para encontrar a cadeia de suprimentos doméstica incluiu diversas e longas viagens.Torres passou semanas visitando fábricas na Chinatown de Nova Iorque, em Los Angeles e em El Paso no Texas, à procura de um fabricante para responder às necessidades de um designer de moda masculina de Tampa – Florida.

Depois de finalmente encontrar alguns fabricantes, Torres e os sócios terminaram o seu plano de negócios. A primeira coleção masculina da Black & Denim foi lançada no outono de 2010. Em 2012, as receitas foram de 100 mil dólares.

Para cada pequeno designer existente nos EUA, há o potencial para colocar pessoas trabalhando em muitas outras pequenas e médias empresas. A Black & Denim lida diariamente com cerca de 10 fornecedores, incluindo de denim, algodão, couro, acabamentos, bordados, confecção e expedição. “Como empresa, estamos afetando outras 10 empresas. Produzir nos EUA é, desta forma, significativo”, afirma Torres.

E manter a produção nos EUA não é apenas uma boa jogada de marketing. “Ter aqui o controle da qualidade é fundamental”, considera Torres. “Isso permite-nos reagir melhor e mais rapidamente ao mercado. Permite-nos catapultar ou iniciar tendências que outras pessoas possam seguir. Não é apenas um benefício, é a forma como fazemos o negócio”, explica.

Mesmo assim, quando a decisão foi tomada para ramificar a oferta para a moda feminina, houve a desagradável percepção de que novos fornecedores teriam que ser procurados. Então Torres encontrou a Empresa Maker's Row, um serviço de listagem de fabricantes de vestuário dos EUA. Sendo o único sócio que trabalha em tempo integral na empresa, monitora cuidadosamente “tudo que tenha a ver com moda e tecnologia”. Três meses depois de encontrar a Maker's Row, a sua procura por fornecedores foi concluída. Torres diz que a extensa lista de empresas presentes na Maker's Row não só tornou mais fácil encontrar fabricantes, como também permitiu-lhe negociar melhores contratos.

Hoje em dia, uma nova geração de empresas está ajudando os empresários americanos a capitalizar com a revolução industrial das pequenas produções. Na sede da Maker's Row, os fundadores do website, Matthew Burnett e Tanya Menendez, estão determinados em reunir os designers e os fabricantes que possam ajudá-los a transformar as suas ideias em realidades lucrativas. Em suma, querem que o “made in America” entre outra vez na moda.

Apesar do MakersRow.com ter sido lançado apenas em novembro de 2012, o website parece estar no caminho certo para se tornar no Match.com da produção americana.

A primeira parceria de Burnett com Menendez (então um empregado da Goldman Sachs trabalhando em projetos de automação) ocorreu no final de 2010 para construir a Brooklyn Bakery, uma empresa de artigos de couro de fabricação americana.

Anteriormente, Burnett tentou a sua sorte com a tentativa de fabricar no exterior, através da sua primeira experiência empresarial, uma empresa de relógios chamada SteelCake. Ele recebeu um interesse significativo por parte das lojas, e celebridades como Kanye West usavam os relógios. Mas a sua dependência em fábricas no exterior afundou o negócio, conforme vamos revela a segunda parte deste artigo que publicaremos em breve.

Fonte: Reuters

segunda-feira, 15 de julho de 2013

15/07 - Em busca do “El dorado” no sourcing – Parte 3

Representando apenas 1% do comércio internacional de vestuário, a Industria Têxtil e de Vestuário Africana tem ainda um longo caminho a percorrer para ultrapassar as debilidades infraestruturais, laborais e tecnológicas – isto se pretender conquistar uma fração maior do mercado global.

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No evento Source Africa, que decorreu na Cidade do Cabo neste ano, esteve em discussão o potencial papel que as empresas africanas poderão desempenhar no comércio internacional de têxteis e vestuário.

A África do Sul, a maior economia do continente e, tradicionalmente, um centro para o têxtil e vestuário da região, tem evidenciado a dificuldade das empresas africanas em resistir à enchente de produtos asiáticos de baixo custo, conforme salientou Liz Whitehouse, sócia-gerente da Whitehouse & Associates, com sede na África do Sul.

O indústria de vestuário da África do Sul tem estado sob enorme pressão há algum tempo, com as importações totais do setor agora avaliadas em 1,5 bilhões de dólares – um aumento de 370% ao longo da última década. O governo associou o declínio da indústria local às importações chinesas e, como resposta, impôs quotas sobre esses bens.

“Isto deixou uma lacuna no mercado, que foi preenchida por Bangladesh e o Vietnam, e a Ásia já responde por 80% das importações sul-africanas de vestuário”, revelou Whitehouse. A responsável acrescentou que a África do Sul e outros países poderiam aprender com as Ilhas Mauricio, cujos produtos estão registrando vendas consideráveis no seu país.

Como maior exportador de vestuário da África Subsariana, as Ilhas Mauricio venderam 769 milhões de dólares de produtos têxteis e vestuário internacionalmente em 2010, mais do dobro de Madagáscar, seu rival mais próximo. “As Ilhas Mauricio fornece produtos de elevada qualidade e tem utilizado a sua proximidade física com África e prazos mais curtos para construir uma boa relação com várias confecções da África do Sul. São flexíveis, cumprem os prazos de entrega, têm uma forte capacidade de design e um prazo de resposta de duas semanas”, enumerou Whitehouse.
Embora a situação na indústria têxtil e vestuário da África do Sul seja grave – pelo menos 50 mil postos de trabalho foram perdidos no setor do vestuário na última década –, podem existir razões para esperança. A indústria local tem registado um crescimento modesto desde 2010, quando as exportações aumentaram dos 166 milhões de dólares no ano anterior para os 174 milhões de dólares.

O diretor-geral do Departamento de Comércio e Indústria da África do Sul, Lionel October, afirmou que o programa de competitividade para os têxteis e vestuário (CTCP), criado para apoiar a indústria, ajudou a mudar a situação. “Os Confeccionistas locais estão aumentando as compras dos fabricantes locais e a confiança começa a aparecer através de novos investimentos no setor”, disse ele. “O CTCP parou o declínio do desemprego nesses setores e foram criados mais de 12 mil novos empregos permanentes”, resumiu October, que acrescentou ainda que mais de 400 empresas foram ajudadas pelo CTCP, com 165,5 milhões de dólares aprovados.

Ao nível regional, o setor privado também está reagindo, tendo formado em 2005 a African Cotton and Textile Industries Federation (ACTIF). O diretor executivo desta federação, Rajeev Arora, apontou que “o foco principal da organização é desenvolver as cadeias de valor e garantir o investimento direto estrangeiro, para que possamos desenvolver a capacidade dos produtores.Trabalhamos ao nível consultivo com a maioria dos governos e estamos discutindo como os acordos como o AGOA devem ser implementados após 2015, quando está prevista a sua conclusão. Existem muitos desafios, mas estamos trabalhando para lidar com eles”, concluiu Arora.

Fonte: just-style.com

sábado, 11 de maio de 2013

11/05–Em busca do “El dorado” no sourcing–Parte 2

A indústria têxtil e vestuário africana poderá beneficiar-se de uma eventual desaceleração nas exportações chinesas, mas apenas se for implementada no país uma vasta gama de reformas. Salários mais baixos e matérias-primas mais baratas são alguns dos trunfos em mão.

África no mapa do sourcing – Parte 1

Os oradores presentes no Source Africa no início de Abril acreditam que, se as dificuldades sentidas atualmente pela indústria têxtil e vestuário no continente africano forem superadas, então as empresas poderão prosperar.

Roy Ashurst, um comprador senior para a norte-americana PVH Corporation, revelou aos delegados que o valor anual das exportações chinesas de têxteis e vestuário deverá cair dos 250 para os 200 bilhões de dólares nos próximos anos. “Esta é uma oportunidade de 50 bilhões de dólares que as empresas africanas poderão aproveitar. Os salários em África são agora mais baixos e as matérias-primas mais baratas do que em qualquer outro lugar do mundo, por isso acho que chegamos a um ponto que poderá levar a uma revitalização da indústria no continente”, explicou Ashurst.

Thomas Farole, especialista senior em comércio no Banco Mundial, concordou, salientando o aumento dos custos chineses. “O salário mínimo na China duplicou nos últimos cinco anos, de modo que neste ponto a África tem uma grande vantagem em relação ao maior produtor de têxteis e vestuário do mundo. À medida que os salários chineses aumentam, o país irá cortar 85 milhões de postos de trabalho (em todos os setores)”, justificou Farole. O responsável acrescentou que a relativa proximidade da África em relação à Europa e aos EUA também poderá ajudar. “Existe também uma mudança nas empresas no sentido do regresso às redes regionais para aquisição de suas necessidades. Os compradores nos EUA e na UE não querem esperar quatro semanas para obter estoques e os produtores chineses têm dificuldade em responder rapidamente às encomendas”, acrescentou Farole.

Mas a África ainda terá de competir com países exportadores asiáticos, como: Indonésia, Vietnam e Bangladesh. Mesmo com acordos preferenciais de comércio, como o AGOA (African Growth & Opportunity Act), as empresas africanas têm lutado para competir ao nível local, regional e internacional.

Samuel Gayi, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), explicou que a indústria têxtil e vestuário de África continua a ser demasiado pulverizada para a economia global, prejudicando a competitividade. Atualmente as empresas de têxteis e vestuário trabalham em pequenas zonas economicas, com frágeis infra-estruturas de transporte e mercados laborais ineficientes. Além disso, as empresas têm de lidar com as elevadas taxas de inflação, a ameaça de instabilidade política e instituições frágeis. “A infraestrutura é a chave para aumentar o comércio em geral. As estradas pan-africanas poderão custar 32 bilhões de dólares, mas podem gerar 250 bilhões de dólares de comércio adicional ao longo de 15 anos. Existem planos para desenvolver estes corredores de transporte, mas necessitam ser implementados”, comentou Gayi.

Este investimento irá fomentar as exportações para fora do continente, mas também o comércio inter-África, que é ainda mais dificultado pelas inadequadas políticas nacionais de transportes, ambientes de negócios difíceis e fronteiras e procedimentos aduaneiros ineficientes.

As estatísticas do Banco Mundial mostram que nos últimos 20 anos a África Subsariana assegurou apenas 1% do comércio mundial de vestuário, com a China a recebendo uma participação de 41%.

Os dados da International Textile Manufacturers Federation (ITMF) confirmam: em 2011, a China permaneceu como o maior exportador de têxteis e vestuário do mundo e nenhum país africano apareceu nos 20 primeiros lugares. O melhor desempenho foi o do Egito, um produtor de algodão histórico, que exportou 3,5 bilhões de dólares. Como evidência adicional da estagnação da indústria na maior parte da região, a ITMF indicou que o investimento em tecnologia e competências, necessário para desenvolver a indústria de vestuário em África foi extremamente baixo ao longo dos últimos 10 anos.

Mas além das dificuldades existentes, ao nível tecnológico e infraestrutural, as empresas africanas de têxteis e vestuário têm ainda de enfrentar o fluxo de importações provenientes da Ásia.

Fonte: just-style.com

Tradução livre: Sandro F. Voltolini – Autor do Blog Textime

sábado, 27 de abril de 2013

27/04–Em busca do “El dorado” no sourcing

As mudanças nas condições socioeconómicas na China estão levando varias empresas a procurar alternativas de sourcing e, embora o Império do Meio continue no mapa, opções como a Europa ou a América do Sul estão sendo equacionadas para fazer face ao aumento de custos.
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Parece claro entre executivos da indústria que as muitas vantagens da China significam que o país vai continuar a ser fundamental para as estratégias de sourcing – apesar do aumento dos preços, questões laborais e política governamental que é cada vez menos “amiga” das indústrias de baixo valor. Mas a procura de alternativas continua.
Uma combinação do envelhecimento da população na China, rápida inflação de salários e benefícios e valorização da moeda significa que os concorrentes de preços mais baixos estão ganhando negócio, explica Ben Simpfendorfer, diretor-geral da consultora Silk Road Associates. Mas embora países como o Camboja e o Vietnam possam estar ultrapassando a China no que diz respeito a crescimento do volume de exportação, continuam a ser players de nicho.
“As maiores províncias de produção para exportação da China são ainda maiores do que os concorrentes low cost (custo baixo) do sudeste asiático”, destaca Simpfendorfer. “Isso permite-lhes criar economias de escala que não são facilmente replicáveis. A China tem 37% da quota de mercado mundial, por isso é um caso de para onde se pode ir? Há questões de capacidade em outros locais – e deslocalizar partes significativas de capacidade para outras economias irá levar a aumentos de preços semelhantes”, acrescenta.
“Perseguir trabalho mais barato já não é eficiente”, concorda Stephen Forte, diretor-geral de vendas mundiais na produtora de linhas Coats, que sublinha que embora o salário mínimo na China tenha aumentado entre 8% e 14% este ano, os aumentos estão igualmente sendo registrados em países produtores de vestuário em todo o mundo.
“A próxima China não é um local, é um “como”; a próxima China será determinada pela forma como trabalhamos de forma mais inteligente enquanto indústria”, explica Mark Green, diretor da cadeia de aprovisionamento no PVH, citando o diretor de cadeia de aprovisionamento da empresa Bill McRaith.
Mudanças na produção
”O que vemos é o desenvolvimento de capacidades nos países de produção”, considera Peter Kaminsky, diretor-geral de sourcing mundial da Carter´s, empresa americana de vestuário de criança. O resultado é clusters no Camboja e Vietnam, Bangladesh, Myanmar e Índia, e no sul da Ásia, centrado na Indonésia ou Singapura.
Green sublinha, contudo, que a forte base de fiações na China dá-lhe vantagem em relação a países no Sul e no Norte da Ásia – mas vê mudanças significativas no comércio mundial se for acordada a Parceria Trans-Pacífico (TPP na sigla em inglês). “Se for conseguida a TPP nos próximos anos acredito que um número significativo de fiações chinesas vão estabelecer-se no Vietnam e assim que a verticalidade entrar em jogo com rapidez, eficiência e eficácia, as confecções irão mover-se muito rápido”, acrescenta.
De uma perspectiva do calçado, Colin Browne, vice-presidente de sourcing de calçado na VF Asia, concorda. “O custo laboral está tornando-se uma parte muito menor do custo geral. As oportunidades estão mais ligadas aos impostos e fornecimento desse mercado local. Estamos investindo tempo, olhando para a América do Sul, Europa, países onde há claramente oportunidades em termos de impostos e eficiências. Enquanto maior consumidor de calçado em todo o mundo – compra 2,7 mil milhões de pares de calçado por ano, à frente dos EUA com 2,4 mil milhões de pares – a China vai ainda ser uma parte importante da nossa estratégia. Mas claramente vai haver crescimento em outras regiões também”.
Fonte: just-style.com
Tradução livre: Sandro F. Voltolini - Autor do Blog Textime