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quarta-feira, 5 de junho de 2013

05/06 - RFID: diferencial competitivo pelas ondas de rádio

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Em breve as empresas do setor têxtil e de confecção brasileiras devem adotar uma nova tecnologia já aplicada em outros países e que permite a rápida identificação de produtos sem a necessidade da leitura direta do usual chip. Também será possível passar as compras no caixa de uma só vez, sem precisar registrar uma a uma. Com ela, também existirá a possibilidade de ser mais competitivo, uma vez que a novidade poderá trazer redução de custos, aumento da produção, um ágil controle do estoque e de reposição de produtos. Pode até parecer coisa do futuro, mas tudo isso e muito mais já é possível graças à tecnologia RFID (identificação por radiofrequência ou do inglês "Radio Frequency IDentification).

A aplicação prática da nova tecnologia é simples: o segredo está na etiqueta ou tag RFID, um pequeno objeto (transponder) que pode ser colocado em uma pessoa, animal, equipamento, embalagem ou produto, dentre outros. Ela contém chips de silício e antenas que lhe permite responder aos sinais de ondas de rádio enviados por uma base transmissora. Pode ser usada como alternativa aos códigos de barras, permitindo a identificação do produto a alguma distância do scanner. A tecnologia viabiliza, assim, a comunicação de dados através de transponders que transmitem a informação a partir da passagem por um campo de indução, como o que é usado em pedágio "sem parar", por exemplo.

O Japão e os Estados Unidos são os países que mais usam a tecnologia RFID no segmento de vestuário no mundo, ambos com 23%. Na sequência, vem Alemanha (14%), Itália (7%), China (6%), França (5%), Reino Unido (4%), Espanha, Holanda e Suécia (2%). Os dados são de 2011 e apurados pela empresa ID TechEx. Agora, a identificação por radiofrequência começa a dar tímidos sinais no Brasil. Alguns hospitais, casas noturnas, shopping centers e empresas do setor têxtil e de confecção já adotaram o sistema com o intuito de automatizar e virtualizar suas vendas.

No Brasil, a Vip-Systems Informática e Consultoria é pioneira no desenvolvimento de projetos para o varejo têxtil com a tecnologia e criou a primeira loja inteligente da América Latina. Regiane Romano, CIO da Vip-Systems, é especialista em transmissão por radio frequência e fez parceria com a Billabong (rede de franquias de moda surf), em 2011. A loja modelo da marca, localizada na Grande São Paulo, conta com 15 dos 18 itens tecnológicos oferecidos para melhorar a gestão do negócio. A Billabong etiqueta as peças de roupas na própria loja e oferece experiências de interatividade ao consumidor final, como um espelho que permite experimentar peças virtualmente.

A Memove, marca do Grupo Valdac, também implantou a tecnologia em sua logística. A empresa distribui as etiquetas RFID aos seus fornecedores que as aplicam nas roupas. Assim, a marca pode fazer controle de estoque, como tamanho e cores das peças, por meio das informações das tags, além de ter facilidade na distribuição e reposição.

“Poucas confecções brasileiras usam a rádio frequência, mas esse é um hábito que deve mudar nos próximos anos”, declara Romano, que também é doutora no assunto e acaba de lançar o livro sobre o assunto. “À medida que os empresários tomam conhecimento dos benefícios do RFID, eles se interessam em saber mais a respeito da implementação da tecnologia”, acrescenta. Segundo Regiane Romano, o custo médio de uma tag RFID é de R$ 0,40 e o kit básico de implantação, que inclui um leitor e quatro antenas, gira em torno de US$ 5 mil. Os valores também podem  variar de acordo com o porte e as necessidades de cada empresa. “Temos informação de que grandes empresas de varejo já estudam a tecnologia”,

De acordo com Flávia Ponte Bandeira S. Costa, Marketing e Relações Institucionais da GS1- Associação Brasileira de Automação, o uso do RFID é uma tendência mundial, que aumenta o valor agregado dos produtos. “Temos o exemplo da rede americana Macy’s  que implantou a tecnologia desde seus processos de logística até a experiência para o público final”, cita. “Para a indústria de confecção a tecnologia é importante na reposição de estoque, na logística de expedição de produtos e no inventário, que pode ser feito online. Além disso, a adoção do sistema reduz o custo da operação, pois diminui em 20% o trabalho da equipe de estoque”, destaca. Recentemente a GS1 participou de um workshop sobre a tecnologia RFID, na sede da Abit, em São Paulo.

O grupo Aion Jeans, de Campo Mourão (PR), produz 200 mil peças por mês, sendo que todas já contam com as etiquetas RFID. A empresa adotou a tecnologia há pouco mais de um ano. De lá pra cá ganhou agilidade nos processos de expedição e está mais competitiva. “Nossa produção aumentou, pois com os portais de RFID passamos lotes de até 80 peças de uma vez pelo equipamento para dar entrada ou acusar a saída da mercadoria. Isso faz com que possamos aceitar mais pedido, pois estamos mais ágeis”, comenta Josimar Loch, responsável pela área de estrutura e tecnologia do grupo Aion Jeans. Ele acrescenta que se o lojista também tiver a tecnologia RFID em seu comércio, pode utilizar a mesma etiqueta implantada na fábrica da Aion para fazer seu próprio controle de estoques.

Entre outras vantagens, Loch também ressalta a segurança que a nova tecnologia proporciona. Cada peça com a tag RFID possui um código único no mundo, o que evita transtornos no caso de uma possível troca, por exemplo. “Se um cliente quiser trocar a calça jeans que tiver RFID e  entregar outra peça, podemos identificar que a peça que o consumidor levou para a troca não é a mesma que comprou anteriormente”, enfatiza.

O RFID Research Center, na Universidade de Arkansas (EUA), é referência mundial de tecnologia RFID.

Fonte: www.abit.org.br

sábado, 11 de maio de 2013

11/05–Em busca do “El dorado” no sourcing–Parte 2

A indústria têxtil e vestuário africana poderá beneficiar-se de uma eventual desaceleração nas exportações chinesas, mas apenas se for implementada no país uma vasta gama de reformas. Salários mais baixos e matérias-primas mais baratas são alguns dos trunfos em mão.

África no mapa do sourcing – Parte 1

Os oradores presentes no Source Africa no início de Abril acreditam que, se as dificuldades sentidas atualmente pela indústria têxtil e vestuário no continente africano forem superadas, então as empresas poderão prosperar.

Roy Ashurst, um comprador senior para a norte-americana PVH Corporation, revelou aos delegados que o valor anual das exportações chinesas de têxteis e vestuário deverá cair dos 250 para os 200 bilhões de dólares nos próximos anos. “Esta é uma oportunidade de 50 bilhões de dólares que as empresas africanas poderão aproveitar. Os salários em África são agora mais baixos e as matérias-primas mais baratas do que em qualquer outro lugar do mundo, por isso acho que chegamos a um ponto que poderá levar a uma revitalização da indústria no continente”, explicou Ashurst.

Thomas Farole, especialista senior em comércio no Banco Mundial, concordou, salientando o aumento dos custos chineses. “O salário mínimo na China duplicou nos últimos cinco anos, de modo que neste ponto a África tem uma grande vantagem em relação ao maior produtor de têxteis e vestuário do mundo. À medida que os salários chineses aumentam, o país irá cortar 85 milhões de postos de trabalho (em todos os setores)”, justificou Farole. O responsável acrescentou que a relativa proximidade da África em relação à Europa e aos EUA também poderá ajudar. “Existe também uma mudança nas empresas no sentido do regresso às redes regionais para aquisição de suas necessidades. Os compradores nos EUA e na UE não querem esperar quatro semanas para obter estoques e os produtores chineses têm dificuldade em responder rapidamente às encomendas”, acrescentou Farole.

Mas a África ainda terá de competir com países exportadores asiáticos, como: Indonésia, Vietnam e Bangladesh. Mesmo com acordos preferenciais de comércio, como o AGOA (African Growth & Opportunity Act), as empresas africanas têm lutado para competir ao nível local, regional e internacional.

Samuel Gayi, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), explicou que a indústria têxtil e vestuário de África continua a ser demasiado pulverizada para a economia global, prejudicando a competitividade. Atualmente as empresas de têxteis e vestuário trabalham em pequenas zonas economicas, com frágeis infra-estruturas de transporte e mercados laborais ineficientes. Além disso, as empresas têm de lidar com as elevadas taxas de inflação, a ameaça de instabilidade política e instituições frágeis. “A infraestrutura é a chave para aumentar o comércio em geral. As estradas pan-africanas poderão custar 32 bilhões de dólares, mas podem gerar 250 bilhões de dólares de comércio adicional ao longo de 15 anos. Existem planos para desenvolver estes corredores de transporte, mas necessitam ser implementados”, comentou Gayi.

Este investimento irá fomentar as exportações para fora do continente, mas também o comércio inter-África, que é ainda mais dificultado pelas inadequadas políticas nacionais de transportes, ambientes de negócios difíceis e fronteiras e procedimentos aduaneiros ineficientes.

As estatísticas do Banco Mundial mostram que nos últimos 20 anos a África Subsariana assegurou apenas 1% do comércio mundial de vestuário, com a China a recebendo uma participação de 41%.

Os dados da International Textile Manufacturers Federation (ITMF) confirmam: em 2011, a China permaneceu como o maior exportador de têxteis e vestuário do mundo e nenhum país africano apareceu nos 20 primeiros lugares. O melhor desempenho foi o do Egito, um produtor de algodão histórico, que exportou 3,5 bilhões de dólares. Como evidência adicional da estagnação da indústria na maior parte da região, a ITMF indicou que o investimento em tecnologia e competências, necessário para desenvolver a indústria de vestuário em África foi extremamente baixo ao longo dos últimos 10 anos.

Mas além das dificuldades existentes, ao nível tecnológico e infraestrutural, as empresas africanas de têxteis e vestuário têm ainda de enfrentar o fluxo de importações provenientes da Ásia.

Fonte: just-style.com

Tradução livre: Sandro F. Voltolini – Autor do Blog Textime

sábado, 27 de abril de 2013

27/04–Em busca do “El dorado” no sourcing

As mudanças nas condições socioeconómicas na China estão levando varias empresas a procurar alternativas de sourcing e, embora o Império do Meio continue no mapa, opções como a Europa ou a América do Sul estão sendo equacionadas para fazer face ao aumento de custos.
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Parece claro entre executivos da indústria que as muitas vantagens da China significam que o país vai continuar a ser fundamental para as estratégias de sourcing – apesar do aumento dos preços, questões laborais e política governamental que é cada vez menos “amiga” das indústrias de baixo valor. Mas a procura de alternativas continua.
Uma combinação do envelhecimento da população na China, rápida inflação de salários e benefícios e valorização da moeda significa que os concorrentes de preços mais baixos estão ganhando negócio, explica Ben Simpfendorfer, diretor-geral da consultora Silk Road Associates. Mas embora países como o Camboja e o Vietnam possam estar ultrapassando a China no que diz respeito a crescimento do volume de exportação, continuam a ser players de nicho.
“As maiores províncias de produção para exportação da China são ainda maiores do que os concorrentes low cost (custo baixo) do sudeste asiático”, destaca Simpfendorfer. “Isso permite-lhes criar economias de escala que não são facilmente replicáveis. A China tem 37% da quota de mercado mundial, por isso é um caso de para onde se pode ir? Há questões de capacidade em outros locais – e deslocalizar partes significativas de capacidade para outras economias irá levar a aumentos de preços semelhantes”, acrescenta.
“Perseguir trabalho mais barato já não é eficiente”, concorda Stephen Forte, diretor-geral de vendas mundiais na produtora de linhas Coats, que sublinha que embora o salário mínimo na China tenha aumentado entre 8% e 14% este ano, os aumentos estão igualmente sendo registrados em países produtores de vestuário em todo o mundo.
“A próxima China não é um local, é um “como”; a próxima China será determinada pela forma como trabalhamos de forma mais inteligente enquanto indústria”, explica Mark Green, diretor da cadeia de aprovisionamento no PVH, citando o diretor de cadeia de aprovisionamento da empresa Bill McRaith.
Mudanças na produção
”O que vemos é o desenvolvimento de capacidades nos países de produção”, considera Peter Kaminsky, diretor-geral de sourcing mundial da Carter´s, empresa americana de vestuário de criança. O resultado é clusters no Camboja e Vietnam, Bangladesh, Myanmar e Índia, e no sul da Ásia, centrado na Indonésia ou Singapura.
Green sublinha, contudo, que a forte base de fiações na China dá-lhe vantagem em relação a países no Sul e no Norte da Ásia – mas vê mudanças significativas no comércio mundial se for acordada a Parceria Trans-Pacífico (TPP na sigla em inglês). “Se for conseguida a TPP nos próximos anos acredito que um número significativo de fiações chinesas vão estabelecer-se no Vietnam e assim que a verticalidade entrar em jogo com rapidez, eficiência e eficácia, as confecções irão mover-se muito rápido”, acrescenta.
De uma perspectiva do calçado, Colin Browne, vice-presidente de sourcing de calçado na VF Asia, concorda. “O custo laboral está tornando-se uma parte muito menor do custo geral. As oportunidades estão mais ligadas aos impostos e fornecimento desse mercado local. Estamos investindo tempo, olhando para a América do Sul, Europa, países onde há claramente oportunidades em termos de impostos e eficiências. Enquanto maior consumidor de calçado em todo o mundo – compra 2,7 mil milhões de pares de calçado por ano, à frente dos EUA com 2,4 mil milhões de pares – a China vai ainda ser uma parte importante da nossa estratégia. Mas claramente vai haver crescimento em outras regiões também”.
Fonte: just-style.com
Tradução livre: Sandro F. Voltolini - Autor do Blog Textime

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

14/01–Problemas na cadeia de suprimentos das lojas, fazem ações da Hering despencar

Julio Bittencourt/Valor / Julio Bittencourt/Valor
Fábio Hering, presidente da Hering, subestimou a recuperação do consumo no quarto trimestre: "Não conseguimos atender a demanda de algumas lojas a tempo"
As ações da Hering tiveram em 10/01/13, seu pior pregão desde junho de 2009, após a decepção do mercado com os números estimados pela companhia para o quarto trimestre. Os papéis da companhia caíram 11,9%, para R$ 38,35, na pior performance do Ibovespa. Com o tombo, o valor de mercado da varejista têxtil retomou os patamares de julho do ano passado, em R$ 6,12 bilhões.
Na noite de quarta-feira a Hering informou que no quarto trimestre teve queda de 0,2% nas vendas das lojas abertas há mais de um ano, muito abaixo do consenso de mercado, que apontava para um crescimento entre 4% e 5%.
Segundo o presidente Fábio Hering, houve problemas na cadeia interna e externa de suprimentos e havia demanda por parte do consumidor. Na prática, ocorreu "desestocagem" na rede.
A venda da matriz para as lojas dos franqueados ocorreu num ritmo menor do que as vendas das lojas para o consumidor, reflexo do fato de a Hering ter subestimado a recuperação do consumo. "Não conseguimos atender a demanda de algumas lojas a tempo", disse o empresário.
Os esforços de última hora da companhia para não perder vendas resultaram em aumento dos gastos com frete e horas extras, o que deve ter impacto nas margens do quarto trimestre, disse Frederico Oldani, diretor financeiro da Hering.
Não foi a primeira vez que problemas operacionais prejudicaram o resultado da Hering. Em 2012, a empresa teve resultados fracos acompanhados de justificativas como desacerto na coleção e obstáculos logísticos, com a transferência para um novo centro de distribuição.
O Credit Suisse classificou 2012 como um "ano perdido" para a Hering. Segundo analistas do banco, há quatro trimestres a Hering mostra um desempenho bem mais fraco que suas concorrentes Marisa e Lojas Renner, cujas vendas "mesmas lojas" devem ter registrado crescimento de dois dígitos no fim do ano, segundo indicações da diretoria.
Goldman Sachs e Deutsche Bank classificaram a queda nas vendas mesmas lojas da Hering como "desapontadoras". O desempenho fraco levou o Goldman a reduzir em 2%, na média, sua estimativa de ganho por ação da companhia entre 2012 e 2014. A nova previsão incorpora os números da prévia operacional divulgada ontem, o plano de abertura de lojas e novo cenário macroeconômico. A Selic mais baixa se traduz em menores ganhos nas linhas financeiras da empresa, disseram os analistas do banco em relatório.
As vendas brutas totais cresceram 10,7%, também abaixo das expectativas do mercado. O indicador, no entanto, apresentou melhora em relação ao terceiro trimestre, quando a alta foi de apenas 1%, sinalizando que a estratégia de abrir novas lojas tem garantido o faturamento da companhia, apontou o Itaú BBA.
Para o banco, a abertura de novas unidades deve sustentar o crescimento da Hering no médio prazo. Um novo estudo de potencial de abertura de lojas, divulgado pela companhia, identificou espaço para 796 unidades, contra as 604 previstas anteriormente. Em 2013, a companhia pretende abrir 77 lojas, alcançando 592 unidades.
"O estudo do potencial de novas lojas reforça a nossa convicção de que o ciclo dos formatos baseados em franquias é duradouro e que as melhoras serão observadas de maneira lenta ao longo do ano", disse o Itaú BBA.
Fonte: www.valor.com.br/empresas/2966032/hering-fica-sem-estoque-na...

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

26/10 - Estática dá nova dinâmica às roupas eletrônicas

 

A energia gerada pelo material piezoelétrico é reforçada pelos efeitos eletrostáticos, gerando uma tensão e uma corrente significativamente maiores. [Imagem: Kim et al./EDES]

MODA ELETRÔNICA

Os tecidos inteligentes, ou e-tecidos, estão entre os conceitos mais promissores quando o assunto é deixar os equipamentos eletrônicos verdadeiramente portáteis.

De um lado, a eletrônica flexível tem avançado rapidamente, já podendo contar não apenas com fios de algodão que transmitem eletricidade, mas também com transistores de algodão eletrônico.

De outro, o problema é alimentar a eletrônica incorporada nas roupas, o que tem sido feito comnanogeradores, baterias flexíveis e roupas capazes de armazenar eletricidade nas próprias fibras.

Foi neste setor da eletrificação que pesquisadores coreanos conseguiram o avanço mais recente nesse emergente campo da "moda eletrônica".

Híbrido estática-piezoelétrico

Hyunjin Kim e seus colegas da Samsung conseguiram reunir os materiais piezoelétricos - que geram energia a partir do movimento da pessoa que usa a roupa eletrônica - com materiais que capturam a eletricidade estática, que também se acumula com o movimento da roupa.

Nesse sistema híbrido, a energia gerada pelo material piezoelétrico é reforçada pelos efeitos eletrostáticos, gerando uma tensão e uma corrente significativamente maiores.

A parte piezoelétrica usa os já tradicionais nanofios de óxido zinco, usados na maioria dos nanogeradores.

Os nanofios foram incorporados em uma malha feita com fibras artificiais - o tecido propriamente dito - recobertas com prata e, a seguir, com uma película de polietileno.

Eletrizante

Os nanofios piezoelétricos produzem eletricidade quando o tecido da roupa é movimentado, flexionando os nanofios.

Já a eletricidade estática é gerada pelo movimento entre o filme de polietileno e as fibras revestidas com prata.

Com um pedaço de tecido eletrônico de alguns centímetros quadrados, os pesquisadores produziram uma corrente de 2,5 mA, a uma tensão de 8 volts, largamente superior a qualquer outro dispositivo similar.

No experimento de demonstração, o e-tecido gerou energia suficiente para alimentar uma tela de cristal líquido de 9 x 3 centímetros e um LED.

Bibliografia:
Enhancement of piezoelectricity via electrostatic effects on a textile platform
Hyunjin Kim, Seong Min Kim, Hyungbin Son, Hyeok Kim, BoongIk Park, JiYeon Ku, Jung Inn Sohn, Kyuhyun Im, Jae Eun Jang, Jong-Jin Park, Ohyun Kim, SeungNam Chax, Young Jun Park
Energy & Environmental Science
Vol.: 5, 8932
DOI: 10.1039/c2ee22744d

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br

terça-feira, 23 de outubro de 2012

23/10 - Nanotecnologia tapa o Sol com a peneira

Nanotecnologia tapa o Sol com a peneira
Um material praticamente transparente, que absorva a luz visível e deixa de fora o calor é um sonho longamente perseguido pelos cientistas. [Imagem: Ghenuche et al./PRL]
Nanotela
Ela é literalmente uma peneira, ou uma tela, construída com fios muito finos, de forma a criar uma malha muito precisa.
É claro que, dadas as dimensões, tudo deveria receber o prefixo nano: nanopeneira, nanotela, nanofios e nanomalha.
Mas o que importa é que a nanopeneira tem 15% de sua área coberta pelos fios, sendo 85% espaços vazios.
Ainda assim, ela consegue bloquear quase 100% da luz de um comprimento de onda específico que incide sobre ela.
A nanotela foi criada por Petru Ghenuche e seus colegas do Laboratório de Fotônica e Nanoestruturas em Marcoussis, na França.
Segundo eles, é uma "nanotela fotônica", com possibilidades de aplicações em todos os campos da óptica, incluindo filtros de luz e sensores.
Rede de Bragg
Embora pareça absolutamente estranho que um material que é quase todo espaço vazio possa bloquear a luz, essa possibilidade havia sido teorizada há vários anos.
A grande dificuldade era tecnológica, ou seja, como construir o material que os teóricos haviam calculado, o que exige uma precisão muito grande.
A nanotela foi construída com fios de nitreto de silício muito uniformes, medindo 500 nanômetros de espessura e postos paralelamente a uma distância de 3 micrômetros um do outro.
O resultado é uma espécie de "rede de Bragg", pequenas grades difrativas usadas para manipular a luz em diversas situações - a diferença é que a nanotela é 2D, enquanto as redes de Bragg são 3D.
Nanotecnologia tapa o Sol com a peneira
Um dos espelhos mais eficientes já construídos é baseado em uma rede de Bragg. [Imagem: Michael Huang/UC Berkeley]
Espalhamento da luz
O princípio de funcionamento da nanotela também difere de outras formas de manipulação da luz em nanoescala, que geralmente utiliza fios e superfícies metálicas para tirar proveito dos plásmons de superfície.
A nanotela, que é feita de um material semicondutor, funciona como um cristal, com os fios agindo como uma camada atômica que interfere com a luz.
A luz incidente inicialmente é refletida por um nanofio; a seguir, o resultado dessa reflexão é refletido pelos nanofios ao redor, e assim por diante.
Isso cria ondas de interferência construtiva que multiplicam o processo de espalhamento da luz no plano da nanotela, impedindo a passagem da luz de um comprimento de onda específico.
Tapando as cores da luz
A configuração fabricada pelos pesquisadores é precisa para bloquear a luz infravermelha, que é quase inteiramente refletida pelo material.
Assim, não é de todo correto afirmar que a nanopeneira pode "tapar o Sol", uma vez que cada configuração vai bloquear um comprimento de onda específico.
Mas um material praticamente transparente, que possa absorver a luz visível e deixar de fora o calor, é um sonho longamente perseguido pelos cientistas.
Além de filtrar a luz, isso torna possível, por exemplo, evitar danos a células solares ou permitir a criação de janelas de vidro que deixem passar a claridade, mas não o calor.
Como o processo de fabricação da nanopeneira é complicado e delicado, essas aplicações mais corriqueiras terão que esperar por técnicas mais práticas.
Bibliografia:
Optical Extinction in a Single Layer of Nanorods
Petru Ghenuche, Grégory Vincent, Marine Laroche, Nathalie Bardou, Riad Haidar, Jean-Luc Pelouard, Stéphane Collin
Physical Review Letters
Vol.: 109, 143903
DOI: 10.1103/PhysRevLett.109.14390

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

26/09–Qual tecido gera maior impacto ambiental?

O que gera mais impacto em termos ambientais, uma peça de roupa feita com polipropileno ou uma produzida com algodão? E entre o poliéster e a lã? Sim, como em todas as perguntas cuja resposta soa óbvia, a correta é a opção que “parece absurda”: a de algodão e a de lã, nas comparações acima. Pelo menos é o que afirma um levantamento feito pelo Sustainable Apparel Coalition (SAC), um grupo de empresas ligadas ao ramo calçadista e de vestuário que se associou a organizações sem fins lucrativos para criar e implementar um índice do desempenho ambiental e social de roupas e calçados. Trata-se de uma iniciativa espontânea, financiada pelas próprias empresas, que conta com mais de sessenta membros, dentre os quais estão grandes fabricantes e varejistas, como Adidas, DuPont, Coca-Cola, Levi´s, Nike e Walmart.

Lançada em julho de 2012, essa versão 1.0 do Índice Higg é focada nos aspectos ambientais, com avaliação das seguintes categorias: uso da água, energia e gases do efeito estufa, resíduos sólidos e toxicidade química. Na versão de 2013 serão incorporadas medidas dos impactos sociais e trabalhistas. O indicador tem por objetivo:

  • Compreender e quantificar os impactos, em termos de sustentabilidade, da indústria de roupas e calçados.
  • Reduzir fortemente a redundância nos cálculos de sustentabilidade nesses setores.
  • Agregar valor aos negócios pela redução do risco e resgate da eficiência.
  • Criar canais comuns para comunicação do tema da sustentabilidade entre as partes interessadas (“stakeholders”)

Ainda que os dados sejam públicos, basta preencher um cadastro simples para recebê-los, o índice vai servir neste primeiro momento sobretudo às empresas ligadas à cadeia de produção e distribuição, que podem usá-lo para como ferramenta para identificar oportunidades de melhora e inovação. Uma medida de fácil compreensão para os consumidores—como a adotada para os aparelhos elétricos, que trazem uma tabela classificadora do gasto de energia— está nos planos da SAC, embora a data de lançamento ainda não tenha sido estabelecida. “Esta ferramenta permite que nossas equipes percebam como melhorar nossa cadeia de produção e, ainda mais importante, como reduzir nosso impacto ambiental”, afirma Scott Lecel, diretor de Responsabilidade Social e Sustentabilidade da varejista Target no comunicado de lançamento do Higg.

Veja abaixo a pontuação de alguns itens.

Higg

Fonte:|http://www.bmfbovespa.com.br/novo-valor/pt-br/na-sua-vida/2012/Empr...